domingo, 19 abril, 2026
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Artes plásticas do Paraná no século 20 (décima quarta parte)

O QUADRO DE BAKUN FOI PARAR NA POLÍCIA

Ennio e Heloisa Marques Ferreira, com a artista Marylu Melo
Ennio e Heloisa Marques Ferreira, com a artista Marylu Melo

Todos estamos sujeitos a equívocos no dia a dia. As artes plásticas são pródigas em toda sorte de desacertos e não raro vão parar na polícia e na justiça, aqui e no mundo todo.

Nos domínios das artes plásticas locais, galerias de arte que foram importantes na vida de Curitiba no século 20 – como a citada no texto a seguir – podem ter sido vítimas de golpes. E acabam pagando o pato, como aconteceu com a galeria Academus, hoje desativada.

Miguel Bakun (auto-retrato) e René Dotti.
Miguel Bakun (auto-retrato) e René Dotti.

Um bilhete que me enviou Heloisa Marques Ferreira, mulher de Ennio Marques Ferreira, e guardiã da memória e do acervo de obras que ela e Ennio formaram, registra um caso policial em torno de quadro de Miguel Bakun. A história é contribuição do casal para este levantamento que estou fazendo.

Conhecendo como conheço os antigos donos da galeria, não tenho dúvidas em admitir que, no caso, foram vítimas de uma cadeia de criminosos que também sempre operaram no universo de nossas artes plástica. Tal como ocorreu com o quadro de Bakun roubado nos anos 1970 do Departamento de Cultura do Estado e depois repassado à galeria.

De qualquer forma, o caso aconteceu, foi manchete de jornais, a história está documentada em registros policiais. Felizmente o quadro de Bakun foi, quando voltando às mãos de Ennio, por ele doado ao acervo do Museu de Arte do Paraná (MAP).

Eis o bilhete de Heloisa:

NOTÍCIA POLICIAL

“Aroldo,

Descobri dois textos para você. Um está nas fotos anexadas; referem-se a um depoimento do Ennio que foi incluído no catálogo da exposição “A coleção de gravuras do MUSA (Museu de Arte da UFPR)”.

O segundo é uma curiosidade. Estou te mandando “ipsis literis” as anotações da agenda do Ennio do dia 24/03/1987:

“Tela de Bakun

Em visita à galeria Academus, verifiquei (22/03/87) a presença de uma tela de Bakun (que estava incluída em relação de obras a serem leiloadas dias 23 e 24) que me pareceu familiar. Ontem de manhã constatei nos arquivos do setor de pesquisa e documentação/MAC a existência de recortes de jornal e queixa apresentada em 1970 a respeito da obra furtada (com fotografia em jornal) que possibilitou a definitiva identificação da tela, como sendo a por mim adquirida em 1962 juntamente com outras tantas para o DC/SEC. Essa tela foi furtada em 1970 da sede do DC (Augusto Stelfeld)”.

Algumas observações:

– o encaminhamento jurídico do caso esteve a cargo do assessor jurídico da SECE Dr. Sidney Davidson dos Santos e do delegado Haroldo Luiz Vergueiro Davidson.

– a galeria citada ficava situada à Alameda Cabral.

– DC é o Departamento de Cultura.

– a tela em questão foi incorporada ao acervo do MAP.

– o caso foi amplamente noticiado pela imprensa na época, com fotos nos jornais.

– o Secretário de Cultura era então René Dotti.

Qualquer dúvida me ligue, espero que você aproveite o material.”

Leia mais:

Artes plásticas do Paraná no século 20 (1ª parte)

Artes plásticas do Paraná no século 20 (2ª parte)

Artes plásticas do Paraná no século 20 (3ª parte)

Artes plásticas do Paraná no século 20 (4ª parte)

Artes plásticas do Paraná no século 20 (5ª parte)

Artes plásticas do Paraná no século 20 (6ª parte)

Artes plásticas do Paraná no século 20 (7ª parte)

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Artes plásticas do Paraná no século 20 (10ª parte)

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Artes plásticas do Paraná no século 20 (12ª parte)

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