“O BAÚ” E OS REIS MAGOS EXPURGADOS PELA ZELADORA

Com depoimento do arquiteto Eduardo Lopes Guimarães, carioca de nascimento e um dos curitibanos mais “legítimos” que conheço, vem a historieta com que encerro a primeira parte desta série de “As artes plásticas do Paraná no século 20”.
Mais tarde, em data ainda não definida, escreverei a segunda parte dessas rememorações, puros exercícios de memória de um jornalista que, desde 1960, viveu muito próximo das artes plásticas, até, pelo menos, os anos 1990.

Eduardo, lembro, mudou-se para Curitiba, em 1966, depois de formado brilhantemente (esta é a palavra exata) pela Faculdade Nacional de Arquitetura. Veio com objetivo bem definido: atender a um cliente importante, Luiz Leão, para quem planejaria casa e cuidaria de sua construção. Tal como o fez.
Nesses dias, Eduardo já namorava firme Consuelo, filha de um dos mais importantes empresários nacionais do comércio, Hermes Macedo. Com ela depois se casaria e constituiriam um dos casamentos mais bem consolidados na chamada alta sociedade de Curitiba.
Hoje o casal tem netos cursando universidades e continua enamorado, tal como na fase do namoro.
Essa explicação sobre a carga afetiva entre Eduardo e Consuelo é frisada porque está ligado à própria historieta que segue.
Logo que casados, em 1967, Eduardo e Consuelo resolveram abrir um espaço que seria um misto de galeria de arte e ponto de venda de objetos e móveis de linhas modernas (móveis da OCA e da Vice-Rei, do Rio). Na época, rememora o arquiteto, só havia a Galeria Cocaco trabalhando obras de arte.
Inventivo, com “fair play” dominando um espírito requintado, Eduardo Guimarães resolveu “dar o troco à maledicência de que teria dado um ‘golpe do Baú’, dada a imensa fortuna de HM”. Assim fundou “O Baú”, a galeria de arte.
Ficava na Avenida Batel, onde hoje existe o Design Center.

Não sei se “O Baú” ampliou ou arrefeceu as fofocas em torno dos casamentos. Mas que ela fez sucesso pela qualidade e inovação, não tenho dúvidas. Havia um bom número de nomes referenciais das artes – conta Eduardo – que apoiava a galeria-loja, como Juarez Machado, Calderari, Domício Pedroso, Ennio Marques Ferreira.
O apoio de grandes artistas era tão grande que Juarez Machado, por exemplo, passou com a então mulher, Lígia, ‘internado’ por dias em “O Baú”. No final produziu um grande painel em blindex, centrado no tema Reis Magos. Uma preciosidade incalculável, não fosse a diligência de uma zeladora não avisada sobre a obra: ela, numa manhã, bem cedo, tratou de “limpar a sujeira”, como explicou.
E lavou tudo, inclusive os Reis Magos de Juarez…
Leia mais:
Artes plásticas do Paraná no século 20 (1ª parte)
Artes plásticas do Paraná no século 20 (2ª parte)
Artes plásticas do Paraná no século 20 (3ª parte)
Artes plásticas do Paraná no século 20 (4ª parte)
Artes plásticas do Paraná no século 20 (5ª parte)
Artes plásticas do Paraná no século 20 (6ª parte)
Artes plásticas do Paraná no século 20 (7ª parte)
Artes plásticas do Paraná no século 20 (8ª parte)
Artes plásticas do Paraná no século 20 (9ª parte)
Artes plásticas do Paraná no século 20 (10ª parte)
Artes plásticas do Paraná no século 20 (11ª parte)
Artes plásticas do Paraná no século 20 (12ª parte)
