domingo, 19 abril, 2026
HomeMemorialArtes plásticas do Paraná no século 20 (décima segunda parte)

Artes plásticas do Paraná no século 20 (décima segunda parte)

O “LULA DE GRECA” ESCOLHEU A MARCA

Jaime Lerner, Manoel Coelho (acima, à direita) e Rafael Waldomiro Greca de Macedo.
Jaime Lerner, Manoel Coelho (acima, à direita) e Rafael Waldomiro Greca de Macedo.

Quando Rafael Greca quis que se criasse marca–símbolo dos 300 anos da cidade de Curitiba, a serem comemorados naquele 1993, ano da posse do então recém-eleito prefeito, ele reuniu um punhado de pessoas, a maioria ligada às artes plásticas, na Casa da Memória, da Fundação Cultural.

Eu estava lá, como parte dos “notáveis”, o grupo a quem o neo alcaide entregara a difícil tarefa de escolher a marca.

Na verdade, até não me surpreendi pelo número de julgadores que Rafael Waldomiro Greca de Macedo apontara para compor o dito júri. Era próprio de seu estilo grandiloquente. Pois ele sempre se comportara assim, desde quando foi trabalhar comigo, Celso Nascimento e Maí Nascimento Mendonça, na Voz do Paraná, em 1973, no jornal Voz do Paraná (Estava começando Engenharia na UFPR). Todos ficávamos sob o olhar crítico do médico Roaldo Koehler, amigo do grupo da Voz do Paraná.

Dando trato às bolas sobre o julgamento do símbolo, acho que éramos umas 30 pessoas. Tanta gente assim… mas o grupo tinha alguns bons analistas de artes visuais. Outros eram simplesmente aficcionados, como eu, jornalista apegado ao tema, desde sempre.

O grupo se debruçou sobre a grande variedade de trabalhos enviados. A maior parte dele vinha de Curitiba, mas havia também alguns de outras regiões do país.

A decisão dos jurados naquela tarde calorenta e que apenas começava a testemunhar como seria o estilo Greca de governar (meio estabanado, estridente, aparentemente confuso, com enorme sensibilidade para as raízes da cidade) acabou, depois de horas de debates, saindo o resultado.

O escolhido foi trabalho de qualidade, assinado por artista plástico relativamente conhecido.

Rafael já estava pronto para proclamar o resultado da escolha que iria marcar, dali em diante, por quatro anos, a sua administração.

Foi quando chegou Jaime Lerner, o “pai político” de Greca de Macedo e com quem romperia anos depois.

Hoje posso dizer assim, como testemunha do episódio: Jaime, o “Lula” de Rafael Greca de então, examinou, ‘em passant’, com o peso de sua enorme autoridade e proclamou o trabalho vencedor.

Deu ganho de causa ao arquiteto Manoel Isidro Coelho, anulando, em “consequência”, a escolha esboçada pelo neo-alcaide.

O trabalho de Coelho havia sido descartado pelos “notáveis” que, em seguida, não tiveram dificuldades em acatar a escolha de JL.

Leia mais:

Artes plásticas do Paraná no século 20 (1ª parte)

Artes plásticas do Paraná no século 20 (2ª parte)

Artes plásticas do Paraná no século 20 (3ª parte)

Artes plásticas do Paraná no século 20 (4ª parte)

Artes plásticas do Paraná no século 20 (5ª parte)

Artes plásticas do Paraná no século 20 (6ª parte)

Artes plásticas do Paraná no século 20 (7ª parte)

Artes plásticas do Paraná no século 20 (8ª parte)

Artes plásticas do Paraná no século 20 (9ª parte)

Artes plásticas do Paraná no século 20 (10ª parte)

Artes plásticas do Paraná no século 20 (11ª parte)

Leia Também

Leia Também