quinta-feira, 18 junho, 2026
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Construção civil: Canteiros de obras sustentáveis e “lixo zero”

Assessoria – Influenciada pela “pressão verde” dos consumidores da capital ecológica, que consideram a sustentabilidade na decisão de compra do imóvel, a construção civil tem priorizado a redução do impacto ambiental dos novos empreendimentos de Curitiba. A transformação tem efeito não apenas no produto final, mas também na etapa de construção.

Responsável por 60% dos resíduos sólidos urbanos e mais de 30% do consumo energético e emissões globais, segundo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, o setor está utilizando a inovação em prol do ideal do “canteiro de obras verde”. A mudança passa pela meta do “lixo zero”, economia de recursos naturais e preocupação com o entorno urbano.

Na vanguarda da incorporação que tem a sustentabilidade como preceito dos projetos – mesmo antes da chegada da onda de certificações verdes – a AGL recentemente conseguiu zerar o envio das sobras das obras para aterros. Além de adotar medidas para redução do desperdício e geração de entulhos, a incorporadora apostou em um sistema que combina separação na origemrastreabilidade parcerias com operadores especializados.

A experiência está em andamento, nas construções dos multirresidenciais Moní, Kóra e Mytá – os últimos dois em parceria com a incorporadora ALTMA. A principal mudança está na maneira como os materiais são tratados ao longo das obras. Em vez de serem descartados de forma indistinta, os resíduos passam a ser separados por tipo e direcionados para diferentes fluxos. “Hoje conseguimos acompanhar todo o ciclo, desde a geração até a destinação final. Isso traz mais controle e reduz o risco de descarte inadequado”, conta a engenheira de Planejamento da AGL, Liz Magnaguagno.

Ela explica que, na prática, as sobras das obras são encaminhadas para cooperativas de reciclagem empresas especializadas, que processam os materiais descartados e transformam entulho em agregados reutilizáveis, como areia e brita. Já os materiais que não podem ser reaproveitados seguem para coprocessamento e são utilizados como insumo energético em atividades industriais.

A etapa de transporte é um dos pontos mais sensíveis da operação. É nela que se define, de fato, o destino dos resíduos. Segundo Janaína Pissinati, gerente comercial da Forte Coleta de Resíduos – prestadora de serviços para a AGL – a principal diferença entre obras com gestão estruturada e obras convencionais está no nível de controle. “Quando existe um modelo organizado, o resíduo deixa de ser tratado como descarte e passa a fazer parte do processo produtivo. Há padronização na coleta, documentação e rastreamento. Em obras convencionais, é comum a mistura de materiais e a ausência de controle sobre o destino final”, detalha.

Nos empreendimentos da AGL, os resíduos são separados ainda no canteiro, direcionados para caçambas específicas e coletados por um único operador. O processo é acompanhado por documentos como o Manifesto de Transporte de Resíduos (MTR), que permite rastrear cada carga até o destino. Ainda assim, o controle não se resume à documentação. “A garantia do destino correto depende também de auditorias e verificação dos locais de descarte”, completa Janaína.

Mais gestão do que tecnologia

Apesar do avanço de ferramentas e certificações, especialistas afirmam que o principal desafio da sustentabilidade no canteiro de obras não está no acesso a novas tecnologias. “Mais de 60% dos resíduos sólidos urbanos vêm da construção civil, e a maior parte ainda é destinada a aterros. Ao mesmo tempo, já existem obras que conseguem reciclar praticamente todo o material gerado. Isso mostra que o problema não é falta de solução, mas de gestão”, afirma Iago de Oliveira, consultor de sustentabilidade da Bloco Base, empresa parceira da AGL.

Segundo ele, a organização do canteiro e a capacitação das equipes são fatores determinantes. “Quem executa a obra são os trabalhadores. Quando eles entendem o processo, a tendência é que o desperdício diminua.”

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