quinta-feira, 13 agosto, 2026
HomeSaúde e bem-estarLeite materno é essencial nos primeiros meses de vida

Leite materno é essencial nos primeiros meses de vida

Assessoria – O leite materno é essencial para o desenvolvimento de uma criança nos primeiros meses de vida. A campanha Agosto Dourado, instituída no Brasil em 2017, promove uma série de eventos, palestras e materiais de conscientização durante todo o mês, reforçando a importância da alimentação exclusiva de bebês por meio de aleitamento materno.

Segundo dados do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (Enani), cuja atualização mais recente remete ao ano passado, a taxa de aleitamento materno exclusivo é de aproximadamente 45% entre crianças menores de seis meses. O número, no entanto, ainda está distante da meta recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que é de 70% até 2030.

O Agosto Dourado reforça não apenas o aleitamento exclusivo nos seis primeiros meses de vida, mas também a importância de mães procurarem bancos de leite materno em suas regiões, caso tenham dificuldade para amamentar. No site da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, mantido pela Fiocruz, as mães podem encontrar o local mais próximo.

A importância do aleitamento materno

Haroldo Torres Alves, pediatra e professor de pós-graduação da Afya Educação Médica Curitiba, reforça algumas orientações e explica os motivos pelos quais a alimentação exclusiva com o leite materno deve ser prioridade máxima das mães para o bom crescimento dos filhos.

Por que a alimentação exclusiva com o leite materno é tão essencial nos primeiros meses de vida?

“O aleitamento contém nutrientes adequados para bom crescimento e desenvolvimento psicomotor, bem como para transmitir os anticorpos contra vírus e bactérias produzidos ou adquiridos pela mãe, o que é passado através do leite materno.

A criança até os dois anos de idade é considerada lactante, ou seja, que pode manter o aleitamento materno, com os seis primeiros meses de vida exclusivos com o leite da mãe. A partir desta idade, se começa uma transição gradativa para a dieta com outros nutrientes, por intermédio de alimentos saudáveis. Assim, a criança vai aumentando as quantidades e variedades de alimentos diversos e diminuindo o aleitamento materno, a ponto de deixar de mamar, em média, entre 1 ano e 1 ano e 3 meses”, reforça o especialista da Afya Curitiba.

Quais nutrientes contidos no leite materno contribuem para o desenvolvimento da criança?

“O leite materno contém proteínas que promovem ganho de peso e crescimento adequados com a construção dos tecidos e músculos. Também possui gorduras e carboidratos, como a lactose, que ajudam na absorção de cálcio e ferro, fornecendo uma energia fundamental para o desenvolvimento do cérebro e psicomotor. O leite ainda transmite lactobacilos prebióticos, que ajudam na formação da flora intestinal para a absorção adequada dos nutrientes.

Estes, no entanto, não são os únicos benefícios do leite materno. Ele transmite vitaminas como a A, que atua na proteção da visão e nas células defesa; minerais, como ferro e zinco, que previnem anemias e ajudam na unidade; a imunoglobulina (IgA), que é um anticorpo que reveste a parede do intestino e as vias respiratórias, e a lactoferrina, proteína que combate bactérias nocivas e protege o trato digestivo.

O leite materno contém ainda oligossacarídeos, açúcares que agem como prebióticos e alimentam as bactérias boas do intestino, fortalecendo a flora intestinal do bebê. Por fim, ele possui hormônios e enzimas que ajudam a amadurecer os órgãos internos, principalmente o estômago e o intestino, como fatores de crescimento do organismo”.

Quais são os principais riscos de introduzir outros alimentos precocemente para um bebê tão jovem?

“O aleitamento materno é necessário, pelo menos, nos primeiros seis meses de vida, podendo ser mantido até os dois anos; somente depois dos seis meses são introduzidos progressivamente outros alimentos.

Segundo o médico, os principais riscos de se introduzir outros alimentos antes do período exclusivo estão na substituição de todos os componentes adequados que o leite materno possui. Outra situação de riscos é a má digestão dos alimentos, que pode levar a cólicas, gases e alterações do funcionamento intestinal, com eliminação de muco e até mesmo sangue nas fezes.

Todos estes sintomas demonstram processos inflamatórios ou infecciosos causados pela irritabilidade que alimentos inadequados podem provocar na mucosa intestinal, gerando uma síndrome de má absorção alimentar, anemia, perda de peso e desnutrição, e queda na imunidade, facilitando infecções de repetição”.

O que é recomendado para as mães que não conseguem amamentar neste período?

“É muito importante que estas mães tenham um acompanhamento pediátrico, com técnicas de amamentação que auxiliem no processo. Assim, o aleitamento materno é assistido, supervisionado e orientado para produzir saúde desde a primeira infância até as demais fases da vida, tendo uma base de sustentação alimentar natural e completamente saudável, vinda do leite materno”.

Leia Também

Leia Também