sábado, 26 setembro, 2026
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Figura histórica do Paraná, Dom Pedro Fedalto morre aos 100 anos

Redação – Morreu neste sábado (26) aos 100 anos o arcebispo emérito de Curitiba, Dom Pedro Marchetti Fedalto, uma das maiores figuras históricas do século 20 no Paraná. Em nota, a Cúria informa:

“Com profundo pesar, comunicamos o falecimento de Dom Pedro Fedalto, Arcebispo Emérito de Curitiba, aos 100 anos, nesta tarde de sábado, 26 de setembro.
Neste momento de despedida, elevamos nossas preces a Deus em ação de graças por sua longa vida, pelo ministério episcopal e por sua dedicação à Igreja e ao povo de Deus.
Todas as Santas Missas celebradas neste final de semana serão oferecidas em sufrágio pela alma de Dom Pedro Fedalto, unindo nossa comunidade em oração e esperança na Ressurreição. A Missa de corpo presente será celebrada nesta segunda-feira, 28 de setembro, às 10h, seguida do sepultamento na Catedral Basílica. Convidamos toda a comunidade a se unir em oração, pedindo ao Senhor que acolha Dom Pedro em sua infinita misericórdia e conceda conforto aos familiares, amigos, ao clero e a todos que tiveram a graça de conviver com ele”.

Exemplo de bispo e pastor

Missa em homenagem ao centenário de Dom Pedro. Reprodução Instagram

Descrito pelo jornalista e amigo Aroldo Murá como “homem sábio e simples, que não se doutorou em Roma mas se tornou exemplo de bispo”, Dom Pedro foi pastor por excelência. E corajoso. Um dos legados do arcebispo, nos anos de chumbo da ditadura militar, na década de 1970, foi a guarida que deu a perseguidos políticos, como a jornalista e ecologista Teresa Urban, salvando-os de um destino pior nas mãos da ditadura. Mesmo sofrendo críticas e ameaças, Dom Pedro exerceu sua função de bispo e pastor.

No último dia 11 de agosto, Dom Pedro Fedalto celebrou 100 anos de idade, com cerimônia que reuniu amigos de dentro e fora do clero paranaense, bem como autoridades, políticos e amigos.

Trajetória

De nacionalidade brasileira e descendência italiana, dom Pedro Fedalto nasceu no dia 11 de agosto de 1926 na Colônia Antônio Rebouças, em Campo Largo, filho de Corona Marchetti e Giacomo Fedalto.

Dom Pedro Fedalto foi ordenado sacerdote em 6 de dezembro de 1953 e sua sagração episcopal ocorreu em 28 de agosto de 1966. Foi bispo auxiliar da Arquidiocese de Curitiba de 1966 a 1970 e administrador apostólico diocesano no ano de 1970, após a morte de dom Manuel da Silveira, sendo empossado como arcebispo no dia 28 de fevereiro de 1971.

Durante os 33 anos de episcopado, dom Pedro Fedalto criou 74 novas paróquias, ordenou 74 padres diocesanos, acolheu congregações femininas e masculinas e foram construídas 47 igrejas.

A vinda do papa João Paulo II a Curitiba, em 5 de julho de 1980, também foi um dos feitos marcantes de quando ele esteve à frente da Igreja de Curitiba.

Dom Pedro Fedalto e Aroldo Murá

Em 2021, no aniversário de 95 anos de Dom Pedro, o Professor Aroldo Murá escreveu sobre o arcebispo emérito, rara memória da vida paranaense: “Muitos amigos não me deixam esquecer desta data de hoje, 11 de agosto, a do aniversário do arcebispo emérito de Curitiba, dom Pedro Fedalto. Dentre esses amigos, cito dois incondicionais admiradores do arcebispo que passou quase quatro décadas como pastor dos católicos de Curitiba: Rafael Pussolli, provedor da Casa dos Pobres São João Batista, e Sandro de Castro, administrador hospitalar”.

“A importância de dom Pedro é enorme, para a construção de um saudável relacionamento da Igreja-instituição com a comunidade. Essa qualidade dele eu apontei, por exemplo, a fazê-lo personagem de meu livro Vozes do Paraná – Retratos de Paranaenses”.

Com o perfil intitulado “Tu és Pedro”, mostrei as raras características pastorais desse homem sábio e simples, que não se doutorou em Roma mas se tornou exemplo de bispo. Foi pastor por excelência. E corajoso.

Lembro bem que nos anos 1970 – lá pelos chamados anos de chumbo, com a democracia negada por ditadores -, o arcebispo enfrentou críticas e ameaças: abrigou em sua residência a professora Juracilda, apontada como “subversiva”, procurada pelo Dops e militares, e perseguida até entrar na Cúria. Lembro mais ainda: quando a ecologista de porte nacional, Teresa Urban (in memoriam) foi condenada pela justiça militar por supostamente ter infringido a Lei de Segurança Nacional (agora derrocada), ele conseguiu com o comandante da Quinta Região que Teresa (também jornalista) cumprisse a prisão de uns dois anos numa casa de religiosas localizada nas Mercês.

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