segunda-feira, 21 setembro, 2026
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Você sabe as diferenças entre demência e doença de Alzheimer?

Assessoria – O dia mundial do Alzheimer, em21 de setembro, é uma data de conscientização sobre a importância do diagnóstico, do tratamento e dos cuidados com quem sofre dos males da doença. A dificuldade de memória, raciocínio, linguagem e realização de atividades no dia a dia, e as alterações de comportamento são sintomas facilmente confundidos com outras demências.

De acordo com o levantamento do Ministério da Saúde de 2024, cerca de 2,7 milhões de brasileiros acima de 60 anos convivem com algum tipo de demência, o que corresponde a 8,5% da população idosa do país. O Ministério da Saúde, no entanto, projeta que esse número seja de até 5,6 milhões de pessoas em 2050, mais do que o dobro. A doença de Alzheimer, a mais frequente causa da demência, é estimada em cerca de 1,2 milhão de casos, segundo a Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz).

Demência é definida por um conjunto de sinais e sintomas que afetam de forma significativa as funções cognitivas e a autonomia de uma pessoa. A doença de Alzheimer é a demência mais comum e conhecida. Outras doenças que fazem parte desse grupo são a demência vascular, demência com corpos de Lewy, demência frontotemporal, a demência mista, além de outras doenças.

Andressa Dias da Rocha e Gisele dos Santos, geriatras e professoras de pós-graduação da Afya Educação Médica Curitiba, reforçam que uma pessoa com demência não necessariamente tem Alzheimer e que a distinção é importante para acompanhar a evolução dos sintomas, o diagnóstico e o tratamento do paciente e sua família.

O que é Alzheimer e o que é demência?

Para Andressa, é fundamental esclarecer que não existe apenas um tipo de demência e que, por isso, tais doenças incluindo o próprio Alzheimer, podem se manifestar de maneiras diferentes, com sintomas neuropsicológicos e físicos.

“A demência não é uma doença única, mas uma síndrome, ou seja, um conjunto de sintomas que afetam a mente. Já o Alzheimer é uma doença neurodegenerativa específica, sendo a causa mais comum da demência. Nem toda demência é Alzheimer, embora a maior parte dos pacientes com Alzheimer recebe o diagnóstico na fase de demência. Enquanto o Alzheimer afeta inicialmente a memória recente de forma contínua e progressiva, outras demências (como a vascular ou frontotemporal) podem alterar primeiro o comportamento e os movimentos. É mais fácil identificar o subtipo da demência nas suas fases iniciais, pois em estágios mais avançados as suas diferentes formas tendem a convergir em manifestações semelhantes”, pontua a geriatra da Afya Educação Médica Curitiba.

O que as doenças têm em comum?

A demências compartilham sintomas e muitas vezes se entrelaçam, mas cada quadro tem as suas características próprias. Na visão de Andressa, é importante entender que nem todas as doenças vão se manifestar da mesma forma.

“Todas as demências compartilham a perda progressiva das capacidades mentais, além de sintomas neuropsiquiátricos como depressão, ansiedade, entre outros. O que nos guia no diagnóstico são os sinais iniciais de cada quadro; no Alzheimer, a marca principal é o esquecimento de fatos recentes. Na demência vascular, vemos uma piora em degraus associada a alterações físicas, geralmente após derrames. Na demência com corpos de Lewy, o que chama a atenção são alucinações visuais e tremores, enquanto que, na demência frontotemporal, os mais afetados são os jovens, o que causa mudanças drásticas de comportamento e personalidade, sem alterar a memória”, aponta.

Como se descobre que há algo de errado?

O diagnóstico, tanto de demências quanto da doença de Alzheimer, não é imediato. Andressa conta que é preciso utilizar uma combinação de testes, identificação de padrões e exames para conseguir identificar qual é o quadro do paciente.

“O diagnóstico é feito em etapas. Primeiro, confirmamos se o quadro é de demência, conversando com o paciente e a família para entender se houve perda de independência e aplicando testes cognitivos. Em seguida, buscamos a causa do declínio, avaliando o padrão dos esquecimentos e solicitando exames de sangue para descartar, por exemplo, falta de vitaminas ou alterações na tireoide. Também pedidos imagens do cérebro, para ver se há atrofias ou sinais de pequenos derrames. Em casos mais específicos, também podemos pedir exames biomarcadores, que identificam acúmulo de proteínas específicas do Alzheimer no cérebro”, observa.

Como o Alzheimer evolui, mesmo antes de surgir a demência?

A doença tem uma evolução média de 10 a 12 anos, após o diagnóstico de demência leve, e possui fases que tem início mesmo antes dos primeiros sintomas aparecerem. Gisele explica que, em cada fase, o Alzheimer se intensifica e exige uma atenção cada vez maior das pessoas próximas ao paciente.

“A doença possui algumas fases: pré-clínica, comprometimento cognitivo leve e demências leve, moderada e avançada. Ao longo de todas elas podem estar presentes os sintomas comportamentais, como depressão, agressividade, ansiedade e até delírios.

Na fase pré-clínica, não existe sintomas e podem ser identificadas alterações apenas em exames. Esses exames não rotineiramente solicitados, sendo uma opção quando a pessoa tem familiares que apresentaram Doença de Alzheimer precoce e querem se preparar, caso a doença ocorra.

No comportamento cognitivo leve, a pessoa apresenta esquecimentos por vezes confundidos com desatenção, que não alteram as atividades diárias. Porém, aqui já é importante fazer os testes cognitivos, exames laboratoriais e de imagem, para excluir causas reversíveis como deficiência de vitamina B12, HIV, entre outros. Caso se confirme o diagnóstico, pode-se pensar em um tratamento com o medicamento Lecanemabe. Ainda não há necessidade de cuidados de terceiros, mas os familiares devem estar atentos com questões financeiras.

Na demência leve, a pessoa tem dificuldades com tarefas que antes eram fáceis: se perder na rua, dificuldade para lidar com dinheiro, confundir o nome de pessoas com grande convivência. Aqui, os familiares precisam os cuidados com dinheiro e atenção para não tirar a autonomia da pessoa. Ela ainda tem capacidade de tomada de decisão, mas é importante que alguém a acompanhe, por exemplo, no banco ou nas compras.

A demência moderada, por outro lado, faz com que o paciente não consiga realizar sozinho atividades sociais, tenha dificuldade com atividades da casa, telefone e com o próprio autocuidado. Aqui, os familiares precisam estar presentar ou contratar cuidadores, mas sem impedir que o idoso faça atividades, mesmo que com dificuldade.

Na demência avançada, a dependência da pessoa é total e ela passar a maior parte do tempo deitada ou sentada, começando a apresentar incontinência urinária e fecal, perda de apetite e peso, dificuldade de engolir e dificuldade de manter um diálogo”, explica.

Como conduzir os cuidados paliativos?

Gisele explica que, por ainda não haver uma cura para a doença de Alzheimer, é preciso que o médico tenha a sensibilidade para, diante de tal quadro, preparar o paciente e os familiares para lidar com a situação.

“Os estudos ainda estão em andamento, mas infelizmente ainda não há uma cura para a doença. O paciente e os familiares precisam ter consciência da verdade, mas ela precisa ser dita com calma e de acordo com o que eles toleram em termos de informação. Cada pessoa e família são únicos e tem o seu modo de receber essas notícias. Apesar do paciente ter direito a saber a verdade, ele não é obrigado a receber essa informação. É uma doença longa, há tempo para conversar e há que se priorizar o melhor cuidado tendo em consideração os desejos e valores da pessoa”, comenta a especialista da Afya Educação Médica Curitiba.

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