Polenta com frango da minha mãe, risoto do meu pai, bolo da minha irmã e qualquer refeição na minha avó. Almoço com meu melhor amigo, croissant e tortas com as minhas amigas da vida. Churrasco com os piás. Pizza na vó, vinho e comidinhas com as minhas primas. Ontem, hoje e amanhã.
Cada uma dessas comidas entrega mais do que cheiro e sabor: entrega lembranças. Para mim, é impossível que uma memória não esteja ligada à comida. É impensável um encontro sem uma boa bebida, seja café ou whisky. Os aromas, os sabores… tudo gira em torno da mesa.
Uma viagem é planejada com um roteiro gastronômico. Afinal, arquitetura e gastronomia são as minhas maneiras prediletas – e, provavelmente, as melhores; se você não concorda, pense melhor – de conhecer um povo e uma cultura.
Não, comida não é compulsão para mim, ainda que esteja presente na quase totalidade dos meus encontros e memórias. Comida é afeto, conforto e, obviamente, necessidade fisiológica básica.
Sinto um certo medo do futuro ao ler sobre as novas adequações dos restaurantes ao grande número de clientes usuários das tais “canetinhas”. Em uma bolha onde temos o privilégio de fazer três (ou mais, muito mais) refeições diárias, me assusta a escolha de comer menos só para ostentar o manequim da gatíssima Bruna Marquezine. Eu ainda fico com a Julia Roberts, defendendo um novo par de jeans depois de uma bela pizza com a amiga em Comer, Rezar e Amar. Espero seguir resistindo.

*Carolina Macedo é curitibana, empresária, cigar sommèliere e pioneira no universo dos charutos, atuando à frente da Bulldog Tabacaria e abrindo espaço para mais mulheres no setor. Fala sobre este universo, além de agendas de cultura e lazer.
