segunda-feira, 11 maio, 2026
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Casas de Elis e Renato Russo estão vagas para venda ou aluguel

Por Ricardo Ferreira / O Globo – Doidões de mescalina, Elis Regina e Nelson Motta se embolaram numa espreguiçadeira da varanda da casa em São Conrado onde ela morava com o marido, Ronaldo Bôscoli. Em Ipanema, Renato Russo gargalhava nas sessões de pornochanchada que promovia para os amigos em seu apartamento, onde também eram habituais as sessões de tarô.

Na Gávea, era na casa de sua mãe e de sua irmã que Vinicius de Moraes se recolhia toda vez que terminava um casamento — foi muito para lá, então, já que se separou bastante. Candido Portinari encomendou a Oscar Niemeyer o projeto de um ateliê no casarão em que morava no Cosme Velho. Precisava conceber “Tiradentes”, sua icônica obra em larga escala, num local que comportasse o trabalho. Testemunhas inertes das mais espetaculares histórias de seus antigos moradores, cenários de encontros memoráveis da cultura brasileira, estes imóveis no Rio de Janeiro têm algo em comum: estão disponíveis.

Cada uma do seu jeito, estas casas resistem de pé. São lugares lendários de um Rio que passou, mas abrigaram personalidades ilustres, suas intimidades, dores, alegrias e criações. Cada imóvel resiste por um motivo específico.

Elis Regina, Renato Russo, Vinicius de Moraes e Cândido Portinari viveram em imóveis que permanecem de pé. Foto: Agência O Globo e divulgação

Com uma vista limpa para o mar, cravada no costão por onde passa sinuosa a Avenida Niemeyer, que liga as praias de São Conrado e Leblon, está lá a casa que pertenceu a Elis Regina e Ronaldo Bôscoli, duas das figuras mais importantes da cena musical dos anos 1960 e 1970, e um dos casais mais explosivos da época, conhecido pelo amor meteórico e pelas brigas homéricas.

Elis comprou o imóvel na mesma época em que se casou com Bôscoli, incentivada por ele: casa de estilo mediterrâneo, projetada pelo arquiteto Fernando Portuguese nos anos 1950. Foi na mansão de 350 m², de fachada azul e branco, com espaçoso terraço no último andar, que Elis ficou grávida de João Marcello Bôscoli. Também foi lá que o casal recebeu um sem-número de personalidades não só da música, mas de outras áreas, como os jogadores da Seleção Brasileira que ganhou a Copa de 1970, em noites intermináveis regadas a uísque importado.

“A alma dele ficou naquele apartamento”

Foi num prédio baixinho de um apartamento por andar, sem elevador e sem porteiro, desses típicos da velha Ipanema, que Renato Russo, o líder da Legião Urbana, viveu seus últimos anos. O dele é o 201, tem três quartos, duas salas, piso de taco, tudo distribuído em confortáveis 136 m². Renato morou lá durante seis anos, até morrer em decorrência da Aids. À época, o médico do cantor afirmou à imprensa que ele escolheu morrer em casa. Renato partiu numa sexta-feira, 11 de outubro de 1996, deixando muita gente surpresa, já que sua condição foi mantida sob muita discrição.

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