Assessoria – De acordo com dados da Secretaria de Estado de Segurança Pública, Curitiba registra, em média, 21 casos de violência doméstica por dia. No Brasil, a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, registrou, em 2025, quase 3 mil atendimentos por dia, o que representa um aumento de 45% em comparação com o ano anterior. No que diz respeito às mulheres cristãs, a pesquisa Visível e Invisível: a Vitimização de Mulheres no Brasil, realizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com o Instituto Datafolha publicada em 2025, aponta que 42,7% das mulheres que se identificam como evangélicas relataram agressões praticadas por companheiro ou ex-companheiro. Entre católicas, o índice é de 35,1%. “Ao acessar esses números acendeu em mim um sinal de alerta e entendi que deveria fazer algo além de conscientizar outras pastoras, mas entender melhor como trabalhar com essas mulheres”, conta Adriana Ortencio, pastora da Comunidade Alcance, em Curitiba.
Após uma imersão na Casa da Mulher Brasileira, iniciativa em Curitiba referência no atendimento integrado às mulheres em situação de violência, com suporte psicológico, social, jurídico e de segurança pública, Adriana entendeu que muitas mulheres, além da dependência emocional dos companheiros, possuem dependência financeira. “Na maioria dos casos, como não tem profissão e renda própria , a vítima é forçada a voltar para esse ciclo de violência, com receio de não poder sustentar os seus filhos”, conta a pastora que acaba de lançar um projeto para capacitar essas mulheres e ajudá-las a ter uma nova profissão.
Batizado de Abigail, o projeto é uma escola profissionalizante de beleza para mulheres totalmente financiado pela venda de livros escritos pela própria pastora Adriana. Com estrutura completa e funcional, o espaço foi construído na sede da Alcance Social e reuniu uma equipe de voluntárias como professoras para a Escola de Cabelos e Escola de Sobrancelhas. “Nossas voluntárias são experientes na área da beleza e boa parte delas já atua há um bom tempo neste setor”, conta Adriana. Ela explica, ainda, que a ideia é que as alunas saiam prontas para abrir seu próprio espaço de trabalho, ou ocupar vagas em algum salão.

As escolas do Projeto Abigail começam atendendo 06 mulheres, que hoje vivem em sigilo em abrigos e serão indicadas pela prefeitura. No futuro, a ideia é atender até 10 mulheres nas escolas. A formação completa dura três meses.
Outros dados
- 87 mulheres morreram vítimas de feminicídio em 2025 (segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública, do Ministério da Justiça e Segurança Pública)
- Ainda de acordo com o Senasp, em 2025, o Brasil perdeu mais de 1.500 mulheres vítimas de feminicídio, e pelo menos 3.867 mulheres sofreram tentativas de feminicídio.
- Ainda assim, os números podem ser bem maiores. Segundo o DataSenado, cerca de 27% dos casos na Região Sul sequer são notificados.
- Desde que o feminicídio passou a ser considerado crime pela lei brasileira, o aumento de casos foi de quase 190%.
