Por Eliaquim Junior – Depois de fazer uma aparição relâmpago em Superman (2025), finalmente chegou a vez da prima de Kal-El assumir o comando da nave. Supergirl (2026) aterrissa nos cinemas em uma aventura espacial girl power divertida e bem-humorada, mas com trama clichê demais e com dificuldades para empolgar.
Supergirl, dirigido por Craig Gillespie, expert em filmes com protagonismo feminino como Eu, Tonya, e Cruella, acerta em cheio na atmosfera, que muito lembra a série cult Firefly (2002). Ambas as produções “bebem” do Space western, subgênero que mistura ficção científica com estética de velho oeste.
Em vez de cidades futuristas impecáveis, os personagens passam por bares decadentes, naves sujas e usadas, planetas poeirentos e regiões praticamente sem lei, sem contar a população esquisita. Outra semelhança está na estrutura estilo “viagem episódica”, assim como a tripulação da Serenity da série, Kara Zor-El/Supergirl vive se deslocando, arrumando problemas a cada parada/planeta.
Outro grande acerto é a própria Milly Alcock. Ela convence como uma garota que finge indiferença quanto ao resto do mundo enquanto “enche a cara”, mas no fundo só quer encontrar seu lugar no universo – e salvar algumas pessoas no caminho. É uma versão muito humana de Kara, embora ela esteja em uma trama de amadurecimento e vingança que segue um roteiro muito batido, fácil de conquistar o espectador, ao mesmo tempo que é previsível.
Ademais, tenho que confessar, o longa da super-heroína tem “cara” de filme feito para TV, um vilão genérico (cujo nome esqueci logo nos créditos finais), e cenas de ação frenéticas, mas sem impacto.
Aí entra Jason Momoa como Lobo. Sua participação parece daquele convidado de um sitcom que rouba todas as cenas e vai embora antes que você perceba. Ele é um personagem que pouco influencia a história, mas entrega o que promete: carisma, humor e uma energia caótica que faz o filme acordar quando aparece.
No fim das contas, Supergirl diverte, tem uma protagonista envolvente e que faz a gente torcer por ela, mas fica a sensação de que ela merecia uma história mais…super.

*Eliaquim Junior é cinéfilo e viciado em café (a ordem é discutível, o vício não). Escreve sobre filmes para justificar o tempo gasto assistindo a eles – e para reclamar com embasamento. Viu 125 filmes em 2025 e segue insatisfeito. Fã assumido de Spielberg e Hitchcock. Jornalista formado, e atua com edição e revisão de textos, mantendo vírgulas no lugar e expectativas altas no cinema.
