
Antenor Demeterco Junior (*)
A jararaca vive nas Américas Central e do Sul, habita no cerrado (e florestas), e dá a luz a filhotes com desenhos e cores diferentes.
Seus alimentos são pequenos roedores, sapos e lagartos.
É importante constatar que é a cobra que mais pica no Brasil, cerca de 90% dos casos.
Tivesse Lula pai se aconselhado com o filho Fabio Luis Lula da Silva, ex-monitor do Parque Zoológico de São Paulo e graduado em Ciências Biológicas, jamais se compararia com o réptil desta espécie, do gênero “Bothrops”.
A verborreia de Lula foi incisiva ao se defender de acusações várias e recentes: “Se tentaram matar a jararaca, não bateram na cabeça, bateram no rabo. A jararaca tá viva, como sempre esteve”.
O piedoso bispo auxiliar da Arquidiocese da Padroeira do Brasil, dom Darci José Nicioli, em plena missa do dia 06 do corrente mês e ano, não deixou por menos, e deu a réplica a discurseira de Lula: “Peça, meu irmão e minha irmã, a graça de pisar a cabeça da serpente. De todas as víboras que existe e persistem em nossas vidas”.
“Daqueles que se autodenominam jararacas. Pisar a cabeça da serpente. Vencer o mal pelo bem, por Cristo Nosso Senhor”.
Lula e o bispo, ao mergulharem num mundo de comparações peçonhentas, com certeza não conhecem um princípio tão do agrado de mafiosos, revelado por Carlos Marcello, chefão da sociedade em Nova Orleans e Dallas, na década de 60 do século passado.
Discutia-se na ocasião a morte por assassinato do presidente Kennedy.
“Como se diz na Sicília: quando quiser matar um cão, não lhe corte o rabo; corte-lhe a cabeça. Se lhe cortar só o rabo, o cão vai continuar mordendo você” (cf. in “Irmãos – A História por trás do assassinato dos Kennedy“, de David Talbot, p. 186 – 187).
A figuração externada pelo mafioso é bem próxima a formulada por Lula em sua defesa, há somente alteração do tipo de animal a ser atingido.
Mera e desagradável coincidência.
(*) ANTENOR DEMETERCO JUNIOR, desembargador emérito do TJ-PR
