sexta-feira, 14 agosto, 2026
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Mãe e filha transformam franquia em negócio de família

Negócios & Gente por Aline Cambuy – A decisão de empreender ganhou um capítulo especial na vida das curitibanas Adriane Cordova Marques e Mariana Marques Toews. Mãe e filha decidiram apostar juntas em um negócio de mobilidade urbana elétrica e abriram uma franquia de scooters, bikes, motos e hoverboards em Curitiba. A escolha veio depois de Mariana conhecer a marca em uma Feira da Franquia em Porto Alegre e enxergar ali uma oportunidade de negócio alinhada a uma transformação que já começa a ganhar espaço nas cidades.

“Eu conheci a Gotrix na Feira da Franquia de Porto Alegre e gostei muito porque era algo novo no mercado. Foi assim que trouxemos uma das primeiras lojas de mobilidade urbana elétrica a Curitiba, que preza muito pela sustentabilidade. Tem tudo a ver com a cidade”, conta Mariana, que também atua como influenciadora digital e assumiu a área de marketing da operação.

O negócio completa oito meses e, segundo a empreendedora, os primeiros resultados têm sido positivos. Parte desse processo, diz ela, está relacionada ao suporte oferecido pela franqueadora, que ajudou a família na estruturação da operação e na preparação da equipe.

A experiência das duas ilustra um movimento que vem ganhando força no Paraná: o crescimento do mercado de franquias como alternativa para quem deseja empreender a partir de um modelo de negócio já estruturado. Segundo dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF), o estado é atualmente o quarto maior mercado de franquias do país e registra crescimento anual superior a 30%.

O avanço encontra terreno fértil em um estado com forte cultura empreendedora, mercado consumidor distribuído entre grandes e médias cidades e iniciativas de desburocratização para abertura de empresas. Entre elas estão a Lei de Liberdade Econômica estadual e o programa Descomplica Paraná, que dispensa o licenciamento prévio para 975 atividades consideradas de baixo risco.

Arvid Auras, diretor-executivo da Feira da Franquia. Foto: Elto Ribeiro

Para Arvid Auras, diretor-executivo da Feira da Franquia, a expansão para o interior é outro fator que ajuda a explicar o desempenho paranaense. Municípios com alto poder de consumo passaram a despertar o interesse de grandes redes e marcas emergentes, enquanto investidores de diferentes perfis, inclusive empresários ligados ao agronegócio, encontram no franchising uma alternativa de diversificação.

“O modelo oferece o que mais se busca hoje: segurança com escalabilidade. Você está comprando um modelo já testado, com marca consolidada e operação padronizada”, afirma.

Os números mais recentes ajudam a dimensionar esse movimento. No primeiro trimestre deste ano, o Paraná registrou aumento de 5% no número de operações e crescimento de quase 9% no faturamento das unidades franqueadas, que ultrapassou R$ 5 bilhões no período.

A lógica por trás da expansão é justamente uma das características que tornam as franquias atraentes para quem está entrando no empreendedorismo: o acesso a processos, ferramentas e estratégias que já foram testados pelo mercado. Para Diniz Fiori, diretor de novos negócios da Acesso Franquias e consultor que já participou da comercialização de mais de 500 franquias, isso não elimina os riscos, mas pode tornar as decisões mais estruturadas.

“O franqueado recebe um modelo validado, suporte contínuo e orientação para tomar decisões mais assertivas. Isso não elimina os desafios do empreendedorismo, mas proporciona um caminho mais seguro, baseado em planejamento, conhecimento de mercado e na experiência de quem já validou o modelo de negócio”, explica.

Há ainda um recorte importante nesse movimento: a presença feminina. Segundo o Sebrae-PR, as mulheres lideram mais de 930 mil empresas ativas no Paraná, o equivalente a cerca de 46,5% dos negócios. No franchising, elas já representam 51% das unidades franqueadas, de acordo com dados da ABF de 2025.

É um cenário que conversa diretamente com a história de Adriane e Mariana. Mais do que uma sociedade entre mãe e filha, a franquia representa para as duas uma nova possibilidade profissional e financeira. E Mariana deixa uma recomendação para quem também pensa em seguir pelo mesmo caminho: “A dica para novos empreendedores é escolher uma franquia em que você confie e acredite e com quem possa dialogar e sentir segurança.”

Feira da Franquia de Curitiba

Para quem ainda está avaliando se o franchising pode ser uma porta de entrada para o empreendedorismo, Curitiba terá uma oportunidade de conhecer diferentes modelos de negócio de uma só vez. Entre os dias 28 e 30 de agosto, o Espaço Torres Kennedy recebe a terceira edição da Feira da Franquia de Curitiba, com 48 estandes e aproximadamente 100 opções de negócios, com investimentos iniciais que variam de R$ 13 mil a R$ 3 milhões.

A programação reúne franquias de segmentos como alimentação, academias, lavanderias, serviços e mídia eletrônica, além de palestras e consultorias. Na edição de 2025, o evento recebeu cerca de 5 mil visitantes em Curitiba.

No fim, histórias como a de Adriane e Mariana mostram que o franchising pode ser mais do que uma alternativa para quem quer abrir uma empresa. Para alguns empreendedores, pode significar a oportunidade de transformar uma relação familiar em sociedade, uma experiência profissional em um novo negócio e uma tendência de mercado em uma possibilidade concreta de futuro.

Se você conhece uma história inspiradora de gente ou de uma empresa que mereça ser contada, ou se tem uma sugestão de tema que gostaria de ver por aqui, escreva para negociosegente@gmail.com. Vai ser um prazer te ouvir!

*Aline Cambuy é jornalista com mais de 20 anos de experiência e atua na área da comunicação empresarial. Estudante de Psicologia, une seu olhar crítico e humano para construir narrativas que conectam pessoas e negócios.

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