Por André Nunes – Neste dia 11 de agosto, terça-feira, o arcebispo emérito de Curitiba, Dom Pedro Fedalto, comemora 100 anos de idade.
De nacionalidade brasileira e descendência italiana, dom Pedro Fedalto nasceu no dia 11 de agosto de 1926 na Colônia Antônio Rebouças, em Campo Largo, filho de Corona Marchetti e Giacomo Fedalto.
“Piá italianucho, só aprendeu português aos 13 anos. Sua excepcional inteligência e memória já eram percebidas pelo professor Luiz Lorenzi. Estudou no Seminário Menor São José, em Curitiba, e no Seminário do Ipiranga, em São Paulo“, descreve o ex-prefeito Rafael Greca.
Dom Pedro Fedalto foi ordenado sacerdote em 6 de dezembro de 1953 e sua sagração episcopal ocorreu em 28 de agosto de 1966. Foi bispo auxiliar da Arquidiocese de Curitiba de 1966 a 1970 e administrador apostólico diocesano no ano de 1970, após a morte de dom Manuel da Silveira, sendo empossado como arcebispo no dia 28 de fevereiro de 1971.
Durante os 33 anos de episcopado, dom Pedro Fedalto criou 74 novas paróquias, ordenou 74 padres diocesanos, acolheu congregações femininas e masculinas e foram construídas 47 igrejas.
A vinda do papa João Paulo II a Curitiba, em 5 de julho de 1980, também foi um dos feitos marcantes de quando ele esteve à frente da Igreja de Curitiba.

Em 2021, no aniversário de 95 anos de Dom Pedro, o Professor Aroldo Murá escreveu sobre o arcebispo emérito, rara memória da vida paranaense: “Muitos amigos não me deixam esquecer desta data de hoje, 11 de agosto, a do aniversário do arcebispo emérito de Curitiba, dom Pedro Fedalto. Dentre esses amigos, cito dois incondicionais admiradores do arcebispo que passou quase quatro décadas como pastor dos católicos de Curitiba: Rafael Pussolli, provedor da Casa dos Pobres São João Batista, e Sandro de Castro, administrador hospitalar”.
“A importância de dom Pedro é enorme, para a construção de um saudável relacionamento da Igreja-instituição com a comunidade. Essa qualidade dele eu apontei, por exemplo, a fazê-lo personagem de meu livro Vozes do Paraná – Retratos de Paranaenses”.
Com o perfil intitulado “Tu és Pedro”, mostrei as raras características pastorais desse homem sábio e simples, que não se doutorou em Roma mas se tornou exemplo de bispo. Foi pastor por excelência. E corajoso.
Lembro bem que nos anos 1970 – lá pelos chamados anos de chumbo, com a democracia negada por ditadores -, o arcebispo enfrentou críticas e ameaças: abrigou em sua residência a professora Juracilda, apontada como “subversiva”, procurada pelo Dops e militares, e perseguida até entrar na Cúria. Lembro mais ainda: quando a ecologista de porte nacional, Teresa Urban (in memoriam) foi condenada pela justiça militar por supostamente ter infringido a Lei de Segurança Nacional (agora derrocada), ele conseguiu com o comandante da Quinta Região que Teresa (também jornalista) cumprisse a prisão de uns dois anos numa casa de religiosas localizada nas Mercês.
Ad multos annos, dom Pedro, “Bonus Pastor”.
Homenagens

Por Ney Leprevost, deputado estadual – Nosso bom velhinho está completando 100 anos de idade e merece todos os aplausos do mundo por uma vida dedicada a Deus e aos nossos semelhantes. Grande amigo da minha avó materna, Dona Cândida Fanchin Abrão, o admiro e respeito desde que me conheço por gente.
Dele, recebi o santo sacramento da crisma, na Igreja São Pio X. Por ele, fui diversas vezes aconselhado e abençoado.
Natural da Colônia Antônio Rebouças, em Campo Largo, ele já nasceu com nome de dois santos fortes e amados por nós católicos: Pedro e Antônio. Foi padre, bispo auxiliar e arcebispo metropolitano. Trouxe o Papa, hoje São João Paulo ll, para Curitiba e reuniu a maior multidão já vista na nossa cidade para receber o pontífice.
Foi um orador brilhante e tinha tanto gosto por celebrar as missas que o povo dizia: “Hoje vou preparado para ficar bastante na igreja, pois a missa é com Dom Pedro”.
No governo Ney Braga, mandou no Paraná. Pois os Neys são obedientes aos bispos!
Trabalhou até quando sua saúde permitiu. Até o ano passado, ainda encontrava forças para ir a eventos públicos. Hoje, mora no seminário, sob os cuidados do padre Osmair, do seu sobrinho Pedro e de um zeloso enfermeiro.
Recentemente, fomos visitá-lo. Fiquei emocionado por ele, em um momento de lucidez, ainda ter me reconhecido. Perguntei se ele estava animado para as comemoração do centenário e sem relutar ele disse: “Muito animaado”. É animaado, mesmo. Não é erro de digitação. Dom Pedro sempre falou com um sotaque meio italiano misturado com o português culto e o tempero da musicalidade do latim, outrora língua ofical da Igreja Católica Apostólica Romana.
Integrante vivo da história do Paraná, Dom Pedro Antônio Marchetti Fedalto é exemplo de fé, dedicação e gentileza. Em algum lugar, tenho guardados os cartões escritos de próprio punho que ele me enviava em datas festivas ou em agradecimento a algum serviço prestado.
Que Deus abençoe o nosso arcebispo emérito, os seus familiares e toda comunidade católica. Que seus exemplos inspirem as novas gerações de seminaristas e padres.
Viva Dom Pedro, discípulo de Jesus e devoto da Virgem Maria!
