sexta-feira, 24 abril, 2026
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Campanha eleitoral de Curitiba vive “dias terribilis”

Os últimos dias não têm sido exatamente favoráveis ao candidato Rafael Greca de Macedo, afora os resultados da pesquisa IBOPE que o mostraram favorito na intenção de votos dos eleitores.

Por exemplo: a Folha de São Paulo, jornal de enorme repercussão nacional, foi a fundo, na quarta-feira, revelando que Greca, quando prefeito de Curitiba, teria levado para chácara de sua família, em Piraquara, móveis e objetos de arte pertencentes ao acervo da Fundação Cultural de Curitiba, alguns deles parte de museu de uma família adquirido pela FCC.

O jornal paulista mostrou peças no interior da chácara, segundo as identificou a FSP, como uma mesa. Esta, curiosamente, aparece até com as mesmas trincas apontadas por perita em obras de arte (anos atrás), características da mesa desaparecida da FCC. Os itens sumidos são 12.

“ARAPONGAS”

A baixa não foi maior nas hostes de Greca porque alguém da campanha de Fruet, numa atitude amalucada, colocou homens a fotografar a entrada da Chácara São Rafael, onde estariam as peças supostamente desviadas.

A presença dos “arapongas”, usando coletes balísticos da Guarda Municipal de Curitiba, virou caso de polícia e Fruet, assim como secretários de alto porte, como Ricardo Mcdonald, lamentaram a ação, alegando que nada tiveram a ver com o fato. Prometeram punição aos culpados pela arbitrariedade, mas não desistiram de apurar até o fim a suposta apropriação de móveis e obras de arte.

Greca, por sua vez, além de negar peremptoriamente ter-se apossado das peças sumidas do acervo da Fundação Cultural (são idênticas às que estão em sua chácara), não permitiu que jornalistas fotografassem o interior da propriedade e as peças antigas que lá estão. Alegou, simplesmente, que o local é propriedade privada e que não concede licença pedida.

NÃO É URBANISTA

Luiz Fernando Pereira, advogado da campanha de Gustavo Fruet, conseguiu, na quinta, 22, uma vitória importantíssima: a justiça eleitoral proibiu terminantemente Rafael Greca de Macedo de apresentar-se como Urbanista ou Engenheiro Urbanista em suas propagandas eleitorais.

A decisão pode tirar votos de Greca de Macedo, especialmente nas camadas de boa formação escolar. Mas na grande massa, não vai significar quase nada. Afinal, desde quando a gente do povo, o homem e a mulher simples, soube qual é a atribuição profissional de um Urbanista?

Greca vinha usurpando de um título de profissão regulamentada, que só pode ser usado por quem de fato seja Urbanista (consulte-se o Conselho Regional de Arquitetura e Urbanismo).

CHARME USURPADO

– Claro que Greca estava querendo, com o título de Urbanista – a que não tem direito – completar a “posse” que fez dos tempos de Lerner na Prefeitura. Desses tempos o curitibano sente falta. Eles foram marcados pela grande revolução urbana que projetou Curitiba mundialmente.

A equipe de Lerner, constituída com urbanistas de fato, conferiu charme à profissão que depois seria regulamentada, diz à coluna um professor do Curso de Arquitetura e Urbanismo da UFPR.

MILHÕES DE PANFLETOS

Ainda no ritmo dos dias “terribilis” que marcaram a campanha eleitoral de Curitiba na semana, registre-se que outros ventos também não sopraram favoravelmente para Gustavo Fruet. Sua campanha teve de cumprir decisão judicial que determinou à polícia recolher em comitês e postos de campanha de GV os folhetos que reproduziam a reportagem da Folha de São Paulo sobre o alegado desvio de peças de móveis antigos da Fundação Cultural de Curitiba por Greca.

Os folhetos teriam sido impressos aos milhões. Dois ou três milhões.

Infrações eleitorais não faltaram. Nem acusações de crimes graves, de diversos quilates.

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