Para tentar destravar a indicação do ministro do Meio Ambiente, Bolsonaro teve uma série de encontros nas duas últimas semanas. As reuniões provocaram especulações, convites recusados e descartes de nomes. Para auxiliares do presidente eleito, há quase um consenso de que o ministério deve ser uma espécie de “secretaria” da pasta da Agricultura.
DESAVENÇA
Um sinal de desavença entre os vários núcleos que apoiam Bolsonaro está no fato de que há pelo menos dois grupos trabalhando em propostas para a área ambiental. Na equipe de transição, há o GT de ambiente, ligado ao núcleo militar, liderado pelo biólogo Ismael Nobre.
EVARISTO
Mas há também uma outra equipe, coordenada pelo agrônomo Evaristo de Miranda, da Embrapa, que, a convite de Onyx Lorenzoni – futuro ministro da Casa Civil –, elabora um diagnóstico sobre o funcionamento da pasta a fim de propor a sua reformulação.
MAIS COTADO
Miranda foi um dos primeiros nomes cotados para a pasta, mas já afirmou diversas vezes que não aceitaria o convite por questões pessoais. Ao Estado, disse que espera poder contribuir mais com o futuro governo como pesquisador.
Seu nome também não agrada aos militares e é contestado por uma boa parcela da comunidade acadêmica, em especial por cientistas que trabalham com inteligência territorial e georreferenciamento de dados mesmo dentro da Embrapa.
PODER DE VETO
Na prática, enquanto o grupo político da transição busca mais espaço e um nome alinhado a seus interesses, os militares tentam exercer seu poder de veto.
DELEGADO
Nesta terça-feira, 4, Bolsonaro conversou por telefone com o delegado Alexandre Silva Saraiva, superintendente da Polícia Federal no Amazonas.
A entrada de Saraiva na lista de cotados evidenciou, para integrantes da equipe de transição, que o trabalho do Ibama de combate às máfias que atuam na Amazônia não necessariamente será esvaziado.
(O ESTADÃO)
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“ESTADÃO” APONTA PROBLEMAS (2)

Até podem existir vetos ao nome de Evaristo de Miranda para o Meio Ambiente. Só estranho que seriam tais vetos de militares. Há poucos dias, o diretor da Embrapa foi mais uma vez reconhecido por suas ligações com o mundo castrense, condecorado pela Aeronáutica; assim como já recebeu altas condecorações da Marinha e Exército.
NAS CASERNAS
Desta forma, nada indica que o cientista, doutor em Ecologia, seja malvisto nas casernas. Pelo contrário.
De qualquer forma, em defesa de Evaristo é preciso citar seu enorme currículo e uma produção científica ímpar sobre temas ambientais. Sem dúvidas, além da expressiva bibliografia que tem produzido, é preciso contemplar a obra que o identifica singularmente.
NÃO QUER O MINISTÉRIO

E, por último, há que se deixar bem claro: Evaristo tem repetido desde o começo que não quer assumir o Ministério do Meio Ambiente, por motivos pessoais (tem familiar que, com saúde abalada, precisa de sua presença constante).
Quanto a restrições no mundo acadêmico ao nome de Evaristo, se elas de fato existem, não me surpreendem. Até porque o universo científico é conhecido pela invidia que produz em torno de produção científica. Os cientistas não estão infensos às ações dos holofotes, às “vanitas vanitatum”, a vaidade das vaidades. Muito pelo contrário…
