Assessoria – Curitiba se consolida ano após ano como um dos principais polos educacionais do Sul do Brasil. Atraídos pela reputação de instituições como Universidade Federal do Paraná (UFPR), Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e Universidade Positivo (UP), milhares de jovens se mudam para a capital para iniciar ou dar continuidade à formação acadêmica. Esse fluxo constante de estudantes movimenta a economia local e influencia diretamente a dinâmica do mercado imobiliário.
A escolha do bairro ideal é fortemente ditada pela proximidade com as universidades ou pelo acesso facilitado ao sistema de transporte coletivo, dividindo a geografia imobiliária estudantil de Curitiba em quatro grandes frentes. O coração da cidade, o Centro, continua sendo o campeão de buscas. Beneficiado pela presença da reitoria, de diversos prédios históricos da UFPR e do campus central da UTFPR, o bairro atrai quem busca praticidade e mobilidade.
O Prado Velho concentra os alunos da PUCPR; o Jardim das Américas e o Centro Politécnico atraem os estudantes de exatas e biológicas da UFPR e a região do Ecoville e Campo Comprido atende ao público da Universidade Positivo.
O efeito sanfona: mudanças no fluxo de procura
O mercado de locação em Curitiba sempre seguiu um ritmo fortemente influenciado pelo calendário acadêmico, com picos de altíssima procura em janeiro e fevereiro e uma segunda onda em junho e julho. No entanto, o comportamento desse fluxo passou por transformações recentes.
Segundo Ana Luiza Galvão Puhl, coordenadora de produção da Galvão Locações, o cenário mudou após o período da pandemia. “Em anos anteriores, a procura ocorria em meses bem específicos, iniciando as buscas em dezembro e concretizando a locação em janeiro, o mesmo ocorrendo em junho e julho. Observamos que após a pandemia houve uma queda nas locações devido ao fato de os estudantes terem a opção do ensino a distância. Porém, percebemos que as buscas de imóveis por estudantes estão aumentando novamente”, explica a coordenadora.
Além da falta de oferta na cidade, o próprio contexto educacional reforça essa tendência de retomada. Apesar da expansão do ensino a distância (EAD), as universidades de referência seguem fortalecendo suas modalidades presenciais. Entre 2023 e 2024, segundo dados do Censo da Educação Superior, a PUCPR, por exemplo, registrou um crescimento de 4,23% no número de alunos presenciais, o que aquece diretamente a demanda por moradia no entorno.
A realidade dos compactos em 2026
Uma pesquisa realizada em 2026 pela ADEMI-PR em parceria com a BRAIN Inteligência Estratégica identificou um forte crescimento dos empreendimentos compactos em Curitiba. Os estúdios e apartamentos de pequenas metragens passaram a representar a maior parte dos lançamentos, apostando no conceito de “condomínio club”, com coworkings, lavanderias coletivas e academias.
No entanto, no mercado de locação real, a dinâmica financeira de 2026 tem feito os estudantes recalcularem a rota e preferirem o compartilhamento de espaços maiores em vez do isolamento nos novos estúdios. “Atualmente, o valor do aluguel de um estúdio quase se iguala ao de um apartamento de dois dormitórios; por isso, os estudantes optam pela locação de um imóvel maior, onde podem dividir os custos com outro colega ou ter um quarto extra para receber familiares”, revela Ana Luiza Galvão Puhl.
Essa preferência atual traz uma dúvida sobre o futuro dos milhares de microapartamentos que ainda estão por vir. A coordenadora da Galvão Imóveis analisa com cautela o horizonte dos próximos anos.
“Como Curitiba possui excelentes faculdades, a demanda de imóveis por estudantes é sempre alta. Tem um grande número de imóveis compactos que serão entregues nos próximos quatro anos, mas não sabemos como o mercado irá se comportar. Apesar de esses empreendimentos possuírem uma excelente estrutura de condomínio, percebemos que hoje existe, na prática, uma procura maior por imóveis amplos”, explica.
Desburocratização e a tradição do fiador
Se por um lado a digitalização facilitou os processos, com contratos eletrônicos e vistorias digitais, na hora de apresentar as garantias locatícias para o público universitário, a tradição familiar ainda fala mais alto do que as novas ferramentas de crédito online.
Enquanto o mercado geral aposta fortemente em seguros-fiança e títulos de capitalização para dispensar o garantidor tradicional, as imobiliárias curitibanas observam que as famílias dos estudantes preferem manter o formato clássico. Conforme esclarece Ana Luiza: “No caso da locação para estudantes, a modalidade de fiador continua sendo a mais utilizada, já que, nesse caso em específico, o locatário não precisa comprovar renda, desde que os fiadores sejam os próprios pais”.
Dessa forma, o planejamento financeiro familiar continua sendo o alicerce que sustenta a jornada dos novos acadêmicos na capital paranaense.
