Esporte e Destino por Marília Mesquita – Se você é daqueles viajantes que buscam experiências culturais autênticas, profundas e com uma energia que simplesmente não se encontra em nenhum outro lugar do planeta, prepare as malas. O destino? Caruaru, a Capital do Forró.
Há exatamente três anos, desembarquei ali sem saber que estava prestes a viver a melhor experiência junina da minha vida. Eu já tinha ouvido falar da grandiosidade da festa, mas nada prepara o espírito para o impacto real do São João no Agreste pernambucano. O que se sente não é apenas a força de um evento; é a pulsação de uma cultura que se recusa a ser esquecida.
Uma imersão na tradição nordestina
Diferente de grandes festivais urbanos que perderam a essência, Caruaru consegue a façanha de conciliar grandiosidade sem abrir mão de suas raízes históricas.
A engrenagem do São João de Caruaru funciona em uma escala impressionante. O epicentro de tudo é o Pátio de Eventos Luiz Gonzaga, uma arena imensa que ganha contornos de patrimônio afetivo e recebe milhões de pessoas com uma estrutura de segurança, acessibilidade e som que não deve nada aos maiores festivais do mundo.
Mas se você busca aquele “São João raiz”, o seu lugar favorito certamente será a Estação Ferroviária. É um espaço mágico onde é possível caminhar entre vilas cenográficas e dançar aquele forró pé-de-serra autêntico ao som do triângulo, da sanfona e da zabumba.
E, claro, falar de Caruaru sem falar das Quadrilhas Juninas é um pecado. Elas são verdadeiras óperas populares ao ar livre, misturando o rigor técnico dos passos estilizados à emoção que arrepia qualquer pessoa.
Para completar a experiência, a cidade ostenta uma das tradições mais fascinantes e divertidas da região: as comidas gigantes. Ao longo do mês, vários bairros organizam festas comunitárias deliciosas e imperdíveis para servir iguarias em proporções inacreditáveis, como o maior cuscuz do mundo, a maior pamonha e o maior pé de moleque. É a cultura nordestina celebrada em sua forma mais generosa e alegre.
A saudável rivalidade: Caruaru x Campina Grande

É impossível falar de festas juninas sem citar a lendária e bem-humorada “briga” pelo título de maior São João do mundo entre Caruaru (PE) e Campina Grande (PB).
Ao passo que a vizinha paraibana ostenta uma arena hipertecnológica e shows massivos, Caruaru responde com o peso de suas tradições. A Capital do Forró se orgulha de manter o pé de serra vivo no Alto do Moura, o som dos pífanos ecoando pelas ruas e o barro de Vitalino moldando a identidade do lugar.
Dica de viajante: Não gaste energia tentando escolher um lado nessa disputa. Essa rivalidade saudável faz com que as duas cidades se superem a cada ano na entrega de decoração, segurança, organização e grade de atrações. São duas experiências gigantescas, mas Caruaru tem um tempero do Agreste que, para mim, a torna incomparável.
Dicas de ouro para a sua viagem
Se você quer viver essa experiência, aqui vão alguns conselhos práticos de quem já viveu a festa na pele:
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Planeje com antecedência: Como os hotéis na cidade lotam rápido, cidades vizinhas conhecidas pelo charme e clima serrano — como Gravatá e Bezerros — são excelentes opções de base.
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Prepare o guarda-roupa: O Agreste pernambucano costuma esfriar à noite em junho. O famoso “frio do interior” pede uma camisa de xadrez estilosa e sapatos muito confortáveis para aguentar horas de arrasta-pé.
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Explore além da festa: Guarde as tardes para visitar o Alto do Moura, considerado o maior centro de artes figurativas das Américas. É lá que vive o legado de Mestre Vitalino, com artesãos incríveis moldando o barro. Vale estender o roteiro também para conhecer a força do polo têxtil nas vizinhas Toritama e Santa Cruz do Capibaribe.
O São João de Caruaru, a cada ano, prova que o Nordeste sabe modernizar sua infraestrutura sem abrir mão de um único milímetro de sua essência. Três anos depois da minha primeira visita, a saudade da poeira do pátio e do som do triângulo ainda bate forte.
Coloque Caruaru na sua lista de desejos de viagem. Permita-se viver o São João em sua máxima potência. Garanto que, assim como aconteceu comigo, isso vai mudar o seu conceito sobre o que é uma verdadeira festa popular.

*Marília Mesquita é jornalista e assessora de imprensa. Entende que a combinação de esporte e viagens oferece uma mundo de oportunidades para experiêncas únicas, nos conectando com a natureza, enquanto exploramos diversas culturas.
