sexta-feira, 24 julho, 2026
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OPINIÃO DOS OUTROS: UMA POLÍCIA POUCO AMIGÁVEL

 

Ku Klux Klan

Antenor Demeterco Júnior (*)

A guerra mundial acelerou os lucros empresariais nos Estados Unidos, de 6.4 bilhões de dólares em 1940 para 10.8 bilhões em 1944. Salários congelados fizeram pipocar greves no país, criando cenários para conflitos raciais, como o de Detroit, acontecido na indústria de armamentos. A força policial da cidade, quase toda branca, exacerbou os fatos, e forças federais usaram munição de verdade. Morreram 34 manifestantes, sendo 25 negros (“in” “A História não Contada dos Estados Unidos”, de Oliver Stone e Peter Kusnick, p. 99).

O tratamento brutal para com negros vem de longe historicamente, em atuações policiais. A recente morte de George Floyde não constitui fato isolado na história do país. O vice-presidente do país da época da guerra Henry Wallace (1888-1965) foi enfático: “Não podemos lutar para esmagar a brutalidade nazista no exterior e tolerar tumultos raciais em casa”.

O racismo americano não teve como alvo, historicamente, apenas negros. Japoneses tiveram seu momento de ódio, durante a guerra no Pacífico. O comandante americano na área, almirante William “Bull” Halsey (1882-1959) referiu-se aos mesmos como “macacos amarelos”, e incentivou seus comandados a “conseguir mais carne de macaco”.

 

KLU KLUX KLAN

A famigerada Ku Klux Klan surgiu nos escombros da Guerra da Secessão (1861-1865), quando a ordem social estava demolida no Sul derrotado. Seus membros se aglutinaram, no século XX, no fraternalismo, atraídos pelo objetivo de proteger os valores tradicionais norte-americanos, encontrados no seio dos grupos de indivíduos brancos, nascidos no país, afiliados a seitas protestantes anglo-saxônicas (“Ku Klux Klan”, p. 9, de David M. Chalmers). A origem da KKK está ligada, ironicamente, tudo indica com muita lenda, a um conde polonês (biologicamente uma mulher), lutador pela liberdade, que serviu sob George Washington, de nome Casimiro Pulaski (1745 ou 1748-1779). E que morreu aos 31 anos em uma ofensiva contra os ingleses em Savannah (1779), dando seu nome a uma pequena cidade do Tennessee.

 

COMO TUDO COMEÇA

Em 1866 seis jovens desta cidade fundaram um clube, todos eles ex-oficiais confederados, em busca de recreação. Reuniam-se em segredo, se disfarçavam e faziam cavalgadas noturnas, parecendo fantasmas, dizendo-se saídos do inferno. Negros crédulos se apavoravam. A organização surgiu oficialmente em abril de 1867, em Nashville, sendo eleito Gran Bruxo o general confederado Nathan Bedford Forrest. A violência transformou-se em método favorito do Klan: ameaçava, desterrava, mutilava, assassinava a tiros e punhaladas, enforcava. Cidadãos “respeitáveis” integravam esta organização criminosa. No campo internacional o Klan encontrou certo respaldo na Alemanha (o que não causa surpresa), em 1925, quando foi criada em Berlim a “Ordem alemã das Cruzes de Fogo”.

 

universidades de Yale e Harvard

IGREJAS CATÓLICAS QUEIMADAS

No Canadá incendiavam igrejas católicas, como a catedral de Quebec e a igreja de Santa Marie de Barrie. O americano Jeffrey Tucker nos conta em seu “Coletivismo de Direita”, que ao estudar a eugenia (ciência política que visa criar uma raça superior), na experiência americana, tirou uma extraordinária conclusão. Visitando o Museu do Holocausto, entendeu que o que aconteceu na Alemanha nazista foi uma ampliação e intensificação das mesmas ideias essenciais, que eram pregadas nas salas de aula de Yale, Harvard e Princeton nas décadas anteriores. Antes de Hitler os Estados Unidos estabeleceram esterilizações forçadas, sendo que para a defesa do planejamento estatal da reprodução humana Hitler usou o caso americano.

 

escritor Jeffrey Tucker

GENÉTICA E RAÇA

Textos norte-americanos foram usados pelos nazistas sobre genética e raça. Quando a polícia americana pratica violência maior contra negros suspeitos de práticas de delitos, mostra que toda uma desumana tradição lhe assombra. Mas o mundo não pode esquecer que a derrota do nazismo, a brutal doutrina estatal do racismo, foi possível porque milhares de jovens americanos tombaram nos campos de batalha da Segunda Guerra Mundial. Derrubar a estátua de Winston Churchill, o homem que defendeu a Civilização Ocidental contra a barbárie, inicialmente isolado, não honra a luta universal contra o racismo.

Curitiba 12 de junho de 2020.

(*) ANTENOR DEMETERCO JÚNIOR, desembargador do TJPR aposentado; advogado; especialista em História do Século 20.

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