Antenor Demeterco Junior (*)

É muito difícil para leigos compreender os acontecimentos no Oriente Médio, região em permanente tensão, e onde existe uma resistência tenaz em se admitir o óbvio.
O Congresso Americano aprovou em 1995 o “Jerusalém Embassy Act”, ou seja, a mudança da embaixada americana para cidade onde há anos funcionam os três poderes do país judeu.
Como prometeu em campanha eleitoral o presidente Trump referendou tal decisão.
O resultado não demorou a se fazer valer: 50 palestinos mortos e 2 mil feridos.
O fato desencadeador da violência já era conhecido há mais de 20 anos.
LAR NACIONAL JUDEU
Israel se define por lei (o que já é) como “Estado – nação judeu”, ou seja, o Estado de Israel como “in verbis” “o lar nacional do povo judeu” (simplesmente a repetição dos termos da centenária Declaração Balfour).
Tal definição não deveria surpreender, pois tal Estado, seguramente, não foi criado e previsto para brasileiros ou outros povos estranhos a grei judaica
DECLARAÇÃO BALFOUR
Há 100 anos a Declaração Balfour (de 02 de novembro de 1917), de Arthur James Balfour, secretário britânico dos Assuntos Estrangeiros, prometeu apoiar “o estabelecimento na Palestina de um lar nacional para o povo judeu”, sem prejudicar direitos civis e religiosos (não os políticos) de não judeus ali habitantes.
POR ANTECIPAÇÃO
Historicamente e em tempos atuais a diretriz política seguida pelos acontecimentos é perfeitamente conhecida por antecipação.
Torna-se, consequentemente, inexplicável que jovens sejam insuflados em protestos a enfrentar um exército moderno, e sejam oferecidos em sacrifício inócuo, contra iniciativas que não são recentes.
Fora do entendimento parece não haver solução para a região, não podendo o reconhecimento da feição judaica do Estado criado para judeus ser desprezada.
ACEITAR O ÓBVIO
A aceitação do óbvio, a nós leigos, seria o primeiro passo para a paz, mais o desencadear de iniciativas que elevem o nível da população não judaica regional.
Refugiados amontoados em acampamentos permanentes estão prontos para qualquer malfeito, especialmente quando monitorados por extremistas.
GERAÇÕES PERDIDAS
Gerações continuam a ser perdidas em inconformismos violentos sobre assuntos requentados e que há muitas décadas deveriam ter sido solucionados.
Trump com suas atitudes, ao que tudo indica, afastou o explosivo assunto Jerusalém da mesa de negociações. Resta saber se esta continuará a existir.
(*) ANTENOR DEMETERCO JUIOR: advogado; desembargador aposentado do TPR; especialista em História do Século 20.
