sexta-feira, 26 junho, 2026
HomeColunasMichelle e Flávio, Moro e parnanguaras: semana movimentada

Michelle e Flávio, Moro e parnanguaras: semana movimentada

Está formada (e não é de hoje) a tempestade perfeita em torno da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à presidência. A mais nova pá de cal foi jogada por sua madrasta, a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro, em longo vídeo divulgado nesta semana, que expõe todos os rachas no clã e divide ainda mais o campo da direita e extrema direita no país.

Da BBC: A guerra aberta nas redes com dois vídeos de Michelle Bolsonaro publicados na quarta-feira (24/06) representa um novo revés na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), afirma reportagem do jornal britânico Financial Times, que destaca que Michelle acusou o filho mais velho do marido de lhe dar uma “apunhalada pelas costas”. Nos vídeos, que somam 27 minutos, a mulher do ex-presidente Jair Bolsonaro responde às cobranças para se empenhar no apoio à pré-candidatura de Flávio.

Em resposta, o senador divulgou um texto em suas redes sociais se desculpando e afirmando que em nenhum momento ofendeu ou teve a intenção de ofender a ex-primeira-dama.

Flávio Bolsonaro. Crédito: Lula Marques/ Agência Brasil

Ainda de acordo com o Financial Times, a briga pública revela uma longa desarmonia entre Michelle e os quatro filhos do ex-presidente, e representa um novo obstáculo para Flávio Bolsonaro. “Flávio aparecia empatado com Lula em pesquisas até pouco tempo atrás, mas perdeu força após a revelação de que pediu milhões de dólares a um suspeito de fraude para financiar um filme sobre o pai”, diz o jornal, ao fazer referência à revelação dos diálogos entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, preso por suspeita de uma fraude bilionária envolvendo o Banco Master.

O Financial Times destaca que, embora Jair Bolsonaro ainda seja o principal líder da direita brasileira, Michelle passou a desempenhar um papel político importante. Ouvido pelo jornal, o cientista político e professor da Fundação Getúlio Vargas Eduardo Grin afirma que o episódio é uma “bomba” para Flávio. “O caso mostra que a campanha de Flávio – inclusive em seu núcleo mais próximo – está completamente desunida e fragmentada”, avaliou Grin ao jornal britânico.

A agência Bloomberg também destacou o potencial danoso do caso para a campanha de Flávio. A Bloomberg afirma que a briga na família Bolsonaro acontece justamente quando o senador teria uma oportunidade de atacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Aula de comunicação política

Doutor em Ciência Política, professor e pesquisador da UFPR, Emerson Urizzi Cervi postou uma análise sobre o vídeo de Michelle Bolsonaro em suas redes sociais: “Cenário minuciosamente montado. Fala primorosa no texto e no subtexto. Pausas para tomar água milimetricamente colocadas em pontos de inflexão. Tudo para detonar o clã Bolsonaro. Isso mesmo, ela atacou ferozmente o clã em seus pontos mais fracos, sem perder a ternura. Foi o vídeo de política mais profissional dos últimos anos. (…) Ela usou as mais refinadas ferramentas de comunicação política para se posicionar publicamente. Michelle Bolsonaro propiciou, ontem, um retorno à velha e boa comunicação política”, avaliou.

“Um político não é representante de si mesmo. Ele sempre fala em nome de um grupo. Quer saber quem dará as cartas na extrema direita pós-2026?”, finaliza Cervi.

Parnanguaras: Moro “decobre” nova tribo…

Faço minhas as palavras de Agenor Mendes Pedreira, do HOJEPR: “A política paranaense, sempre generosa quando o assunto é produzir cenas tragicômicas, nos presenteou com mais uma pérola para a coleção de gafes do senador Sérgio Moro. O homem que já foi tratado como o grande paladino da Justiça resolveu, desta vez, dar uma aula de antropologia e geografia regional”.

Circula pelas redes sociais um vídeo que mistura humor e constrangimento em doses quase iguais. Nele, uma jornalista pergunta ao senador sobre o Porto de Paranaguá, o segundo maior porto do Brasil, e sua relação com os parnanguaras.

“Parnanguaras… a população indígena de lá?”

Para qualquer pessoa que tenha passado pelas aulas de geografia do ensino fundamental, “parnanguara” é simplesmente o gentílico de quem nasce em Paranaguá. É básico. Mas não para o nosso ilustre senador. Ao ouvir a palavra, Moro parece hesitar por alguns segundos. Os olhos procuram uma resposta no vazio e, num lampejo de criatividade involuntária, ele dispara: “Parnanguaras… a população indígena de lá?”

Sim, meus amigos. Segundo essa interpretação, os mais de 150 mil moradores de Paranaguá deixaram de ser cidadãos do litoral paranaense para se transformar em uma enorme comunidade indígena vivendo às margens do porto.

Convenhamos, Paranaguá não merecia esse tratamento. A mais antiga cidade do Paraná, berço da nossa história, dona de um patrimônio cultural riquíssimo e de um porto estratégico para a economia brasileira, acabou reduzida, por puro desconhecimento, a uma fictícia questão antropológica.

… e é o senador paranaense que mais gasta

HOJEPR – Dados oficiais do Senado Federal mostram que Sergio Moro (PL) é o senador que mais gastou dinheiro público no seu mandato parlamentar entre os três representantes do Paraná desde o início da atual legislatura.

Levantamento realizado com base nos relatórios de Transparência e Prestação de Contas do Senado Federal, referentes aos exercícios de 2023, 2024, 2025 e 2026, mostra que Moro usou R$ 1,65 milhão em recursos públicos relacionados ao exercício do mandato entre fevereiro de 2023 e junho de 2026.

O valor considera gastos da Cota para Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP), conhecida como cotão, além de despesas extras custeadas diretamente pelo Senado, como diárias de viagens oficiais e emissão de passagens aéreas. O montante supera em mais de R$ 315 mil os R$ 1,33 milhão utilizados por Flávio Arns (PSB) e é mais de quatro vezes superior aos R$ 379,4 mil gastos por Oriovisto Guimarães (PSDB).

Os gastos de Moro representam praticamente metade de todas as despesas realizadas pelos três senadores paranaenses no período analisado. Sozinho, o parlamentar foi responsável por 49% dos R$ 3,37 milhões consumidos pelos representantes do Estado em despesas custeadas pelo Senado. Na prática, o montante é muito maior, já que não inclui o subsídio mensal pago aos senadores, atualmente fixado em R$ 46.366,19, nem despesas com assessores parlamentares e outros benefícios custeados pela Casa.

Thiago Paiva dos Santos integra missão internacional eleitoral na Colômbia

Divulgação

Assessoria – O advogado e ex-juiz do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), Thiago Paiva dos Santos, participa na Colômbia de uma missão internacional de observação eleitoral que acompanha o segundo turno das eleições presidenciais no país.

A iniciativa reúne especialistas de diferentes nacionalidades com o objetivo de acompanhar o processo eleitoral, contribuir para a transparência do pleito e fortalecer a confiança pública nas instituições democráticas. A ação integra esforços de cooperação técnica e intercâmbio institucional voltados à observação independente de eleições.

A atuação dos observadores internacionais ocorre em um ambiente de intensa polarização política na Colômbia envolvendo o empresário Abelardo de la Espriella e o senador Iván Cepeda.

Leia Também

Leia Também