quarta-feira, 13 maio, 2026
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NO PR, SINDICATO DEFENDEU O CONTROLE DA MÍDIA. LEMBRAM-SE?

96-peixe embrulhadoNão demora e os veículos e órgãos de sempre vão enviar ‘congratulations’ à imprensa e aos jornalistas por qualquer efeméride que lhes diga respeito. Durante o governo Lula, assisti o Sindicato dos Jornalistas do Paraná aliar-se ao seu co-irmão, em São Paulo, para defender o controle da mídia que fustigava o petista por conta do escândalo do Mensalão.

Uau. Se jornalista é isso, com licença, eu vou em frente.

Jornalista de formação, meio lá meio cá, jamais me agradou exigência de diploma para o exercício da profissão. Para não atiçar a ira dos fundamentalistas, costumava dizer que era um princípio filosófico, o da liberdade de imprensa, o da liberdade de expressão. Mas deixa para lá.

TEMPOS BICUDOS

Os tempos são bicudos. O respeitado jornal britânico The Independent pôs fim a sua edição em papel e migra para o formato digital. Devem segui-lo outros jornais de respeito, como o The Times, a revista alemã Der Spiegel e tantas outras publicações. O The Wall Street Journal, o diário de maior circulação nos Estados Unidos, criou uma equipe especializada para criar alternativas viáveis na web. O fim do papel não significa a diminuição do interesse pela notícia. Muito pelo contrário. A demanda é cada vez maior. A questão que se coloca para os jornais é o modelo de negócios a ser desenvolvido para atrair anunciantes. Ninguém vive de vento.

DEMISSÕES EM ALTA

Enquanto o lucro não vem, as demissões seguem em alta. O Le Monde francês demitiu metade dos seus 200 jornalistas e o corte atinge todas as publicações privadas, sem exceção.

FINDOU-SE DO VERBO FINDAR

No Brasil, onde a leitura de jornais é diretamente proporcional aos poucos que conseguem ultrapassar a barreira do analfabetismo funcional, a crise deve limitar os jornais impressos em papel ao eixo Rio-São Paulo – Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e O Globo, a saber. Ainda assim, com redações enxutas.

Em Curitiba, a Gazeta do Povo impressa findou-se (para usar um verbo tão a gosto do diário), fechou as sucursais e tornou-se um site de “curiosidades”. Pena. Até mesmo o bordão que definia a volatilidade da notícia será enterrado. “Leia antes que vire embrulho de peixe”. De agora em diante, nem isso.

“Le Monde”: demissão em massa; “The Independent” também migrou para o digital; e “Der Spiegel”: no mesmo caminho.
“Le Monde”: demissão em massa; “The Independent” também migrou para o digital; e “Der Spiegel”: no mesmo caminho.
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