
Lula fez de um ‘poste’ presidente do Brasil, quando tornou Dilma Rousseff sua sucessora. Quer fazer novamente. O novo poste, entretanto, não é tão poste assim.
Quando apostou na candidatura de Gleisi Hoffmann a presidente nacional do PT, Lula tinha um plano: caso fosse condenado, e sabia que iria ser, precisava garantir um sucessor de sua confiança. Havia apostado mal em Dilma, mas não em Gleisi. Imediatamente a incumbiu da missão. Enquanto ele se prepara para percorrer o Nordeste com sua “caravana petista”, ela espalha sua “imagem revolucionária” mundo afora.
O QUE QUISEREM OUVIR
Trata-se de uma história que se repete como farsa. Lula foi cidadão da esquerda latino-americana antes de escrever a “Carta ao Povo Brasileiro”, em que se inclinava ao capitalismo brasileiro. No palanque, no entanto, era o mesmo revolucionário de voz rouca atacando as elites e os banqueiros. Para inglês ver.
Gleisi, até prova em contrário, segue o mesmo caminho. No Foro de São Paulo, na Nicarágua, disse o que os revolucionários de boina guevarista e punho fechado queriam ouvir. Manifestou apoio ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, frente à violenta ofensiva da direita contra o governo (mais de 90 manifestantes anti-Maduro foram mortos pela polícia, alguns a sangue frio) e defendeu a Assembleia Constituinte no país, esta sim golpista. Cantou loas ao guerrilheiro Che Guevara e solidarizou-se com os companheiros do Partido Comunista Cubano diante do retrocesso imposto pelo governo de Donald Trump.
ANTI-CASAMENTO
Por essas plagas, Gleisi publicou post nas redes sociais chamando uma manifestação no Largo da Ordem em favor de Lula justamente no dia em que ocorreria o casamento da deputada Maria Victória. Ela apagaria depois o post, mas o estrago estava feito.
Talvez Gleisi considere que a estratégia dê certo. Na semana passada, ela liderou outras quatro senadoras na invasão da Mesa Executiva do Senado e esbaldou-se em selfies e vídeos ao vivo durante as sete horas da “ocupação”.
FATIA DE 30%
A quem fala a presidente nacional do PT recém-empossada no cargo? Ora, para os 30% dos eleitores que votam em Lula, independente das denúncias ou condenações que possam pesar-lhe nas costas. A vantagem (ou a esperança) de Gleisi é não carregar consigo os 45% de rejeição que Lula desfruta em qualquer pesquisa de intenção de voto. É desta forma que almeja tornar-se a segunda “presidenta” do Brasil na história.
Parece fantasioso, mas não é. Lula já se vê condenado e desenha um “Plano B”. Aventou-se a possibilidade de que Ciro Gomes seria este “Plano B” e que o PT disputaria o pleito presidencial a reboque. Lula não permitiria isso. Aliás, nenhum dos penduricalhos de esquerda que gravitam em torno do PT apoiaria essa ideia.
A TÁTICA DE ATIRAR PEDRAS
Gleisi, portanto, é a aposta. Como ela irá vitaminar essa candidatura?
Ora, radicalizando. É o que está fazendo ao atacar o monopólio das comunicações (leia-se Rede Globo), defender a revista Carta Capital, o Pravda do PT durante mais de uma década, e confrontar Sérgio Moro, diminuindo a sua importância na investigação da Lava Jato. “Ele é um juiz de primeira instância”. Gleisi é pré-candidata à presidência da República. É a maneira que Lula encontrou para dizer “eu venci”. Eleger mais um poste. Mas não qualquer poste. Um poste com colar de pérolas.
