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Espaço desta coluna recolhe a opinião de um paranaense privilegiado, o advogado e empresário de comunicação social Mário Petrelli.
Ele transitou no epicentro do poder nacional, em boa parte do século 20. É parte da melhor memória viva do país. Tão importante que compõe, há anos, o Conselho Político e Social da Associação Comercial de São Paulo.
Na análise que segue, feita a meu pedido, e passada por telefone, Mário Petrelli diz, em síntese, que a hora é deixar de ser anti-PT e anti outras posições políticas, “mas hora de sermos pelo Brasil”.
Geraldo Alkmin, de quem é amigo, foi, opina, o candidato, com melhor perfil para ocupar a Presidência. Leia o e-mail:

“Caro Aroldo Murá,
Estamos chegando às 48 horas da eleição mais atípica ocorrida no Brasil. Primeiro, pela pluralidade de candidatos, praticamente oriundos do liberalismo e do centro; e que em vez de se unirem a um só caminho, dispersaram-se, o mesmo ocorrendo do outro lado.
No caso de nomes das esquerdas com pensamentos similares, também não se uniram; e aí tivemos o esquecimento de um candidato com programa e com a experiência, ficha limpa, governador de São Paulo por 4 vezes, vereador da sua cidade com 19 anos de idade, Prefeito, Deputado Estadual, Vice-governador de Covas, Deputado Federal, Governador eleito em São Paulo. E observe-se: (Alkmin) governou o maior Estado do país por três vezes.
Ele tinha programa. E como prova de sua capacidade política exemplar, lembre-se que, quando da última eleição para Prefeitos, só não elegeu um município do Estado.
Lamentavelmente uma figura de projeção na área de comunicação e competente, por ele foi escolhido para Prefeito de São Paulo, venceu no 1º Turno e teve no Vice-Governador de São Paulo a coordenação da sua campanha.
SÓ ANTI-LULA
Prometeu (esse prefeito) o que era de se esperar, 4 anos de grande mandato; tão logo eleito, não apresentando programa. Queria se intitular o anti-Lula, que é muito bom existir, mas não é programa de governo.
Deixou (esse prefeito de São Paulo), por um ano, seu nome como candidato a Presidência. Com isso dividiu São Paulo e ofuscou em parte o nome do Presidente do seu partido e seu criador.
ROMPEU COLIGAÇÕES
Em seguida já não mais candidato a Presidência, (esse prefeito) se lançou ao Governo de São Paulo, rompendo coligação e compromissos do seu partido. Isto foi a primeira prova da atipicidade desta maratona eleitoral do 2º Turno, que se encerra neste domingo melancólico.
No 1º Turno o liberalismo dividido com 5 candidatos, propriamente ditos, todos se alto destruindo e prejudicando aquele que mais condições tinha: o único com currículo de vereador a governador, tendo atuado no executivo e legislativo de sua cidade, Deputado Federal, Vice-Governador e Governador do maior Estado do país.
HORA DE ANALISAR
Não critico, não é mais hora de criticar, mas sim de analisar os que correram e não chegaram ao fim, e aquilo que é certo, o liberalismo, o anti-estatal, tão mal exercido pelo Estado gerador dos escândalos tristes, que ocorrem e ocorreram no Brasil.
O liberalismo anti-estatal foi derrotado, ficaram 2 candidatos à Presidência. Não nos cabe criticá-los, mas que aquele, que mais parece será o consagrado das urnas de 28/10, possa enfim apresentar um programa.
NOVA OPORTUNIDADE
Que o novo presidente, depois de ter tido no 2º Turno oportunidade de ouvir mais, aproximar-se mais de correntes anti-estatais, possa promover a Reforma da Previdência, vital para o país. E que garanta também a Reforma Política, a manutenção da PEC dos gastos e a da Reforma Trabalhista, que mudou a CLT dos idos de 1930, superada de há muito.
DEU NO QUE DEU
Os dois candidatos que disputam no domingo, dia 28/10, à Presidência, no fundo se apresentam assim: um é contra o Brasil liberal, é defensor do estado que chegamos, tirânico, desorganizado e não buscou os 20 anos de Governo e sim os 20 anos de Poder, e deu no que deu; em decorrência disto surgiu um Deputado Federal de 7 mandatos que se transformou no novo Jânio, para nós os antigos. Trata-se de alguém parecido com Color do ‘Marajás’ gerador de esperanças, e também do Lula com a Carta aos Brasileiros em 2002.
Ambos não discutiram programas. O que sair vitorioso apresentou principalmente, procurando dar tranquilidade ao país, um gestor da economia de grande valor, se permanecer no governo é um sinal verde, bem como outros nomes de real destaque que foram noticiados ao Brasil.
É MELHOR
Uma eleição de dois turnos sempre é bom, melhor quando no 1º Turno os candidatos são escolhidos pelos seus programas e ideias. Mas lamentavelmente tal não ocorreu no 1º Turno. O melhor exemplo ocorreu em Estadão de São Paulo. Em decorrência, a elite se omitiu.
Agora é hora de a elite pensante e coerente de ideias procurar ajudar ao que deve vencer. E tudo indica será o Capitão.
Essa ajuda das elites é essencial para que não tenhamos, como ocorreu outrora, com o surgimento de salvadores da pátria, nascidos de 1960 para cá. Três deles, Jânio, Color e Lula com as idas e voltas e hoje tão tristemente lembrados.
SORTE LANÇADA
A sorte foi lançada, “alea jacta est”, e como brasileiros esperamos que não se fale mais no contra e no anti, e sim no governo dos prós, do desenvolvimento, das reformas vitais e que não seja estatizante, como foi Geisel, que deixou no Brasil cerca de 140 Estatais; e elas, na maior parte, significam o cancro que o Brasil tem.
Agora é hora do ‘Brasil para frente’.
SÓ 2 PROGRAMAS

Lembro que nos últimos tempos o Brasil teve 2 programas de governo: o de Juscelino em 1955, que mudou o Brasil com o binômio 50 anos em 5, garantindo eletricidade e estradas. E com isto a metade do Brasil desconhecido se transformou no celeiro brasileiro. O país passou a usufruir das terras do Centro-Oeste, que pelo Tratado de Tordesilhas nos couberam, em 1492.
E o que vimos foi a ocupação de uma reta Belém-Brasília, e dos 8,5 milhões de km2 era da Serra do mar ao Litoral, e até a Serra Geral, hoje é reconhecida a notável área de 8,5 milhões de km2; avançando com os fatos Belém-Brasília, Cuiabá-Santarém dos portos do extremo norte, de uma população forte oriunda de grande parte de gaúchos, catarinenses e paranaenses, que chegaram as fronteiras, Rondônia, Acre, Amapá, Mato Grosso, enfim alcançamos nossa integridade física.
O outro programa de Governo foi e de FHC, quando criou o Plano Real. Ele ressuscitou o Brasil, presenteando-o com a moeda forte e gerando respeito internacional.
ALGUÉM PRÓ-BRASIL
Agora precisamos daquele que não seja mais o anti-Lula e anti-PT, e sim pró-Brasil das reformas, e por ser militar honre a história do Exército de Caxias e tantos militares ilustres, que se deram à Nação, e ainda se dão, para orgulho nacional.
A hora agora é de crescer e construir.
24 HORAS DE TV
Para mostrar a atipicidade desta eleição, lembro: um candidato que tinha 10 segundos de TV, em decorrência de um ato violento, indevido e covarde de um alucinado, passou a ter 24 horas de TV, e assim transformou-se no nome em maior evidenciada no país. Foi contemplado com abertura dos meios de comunicação. Não mais só da internet e mídias sociais. O resultado está aí, resulta na eleição mais atípica que o Brasil já teve.
Esperamos que em 2020, nas as eleições para Prefeitos, tenhamos outro comportamento; e que o Brasil passe para uma solução diferenciada para o Congresso, talvez com a criação do voto distrital e partidário.
Espero ter atendido ao seu pedido de análise deste momento nacional.
MARIO PETRELLI, fundador e presidente emérito do Grupo RIC de Comunicação; personagem do volume 10 do livro Vozes do Paraná, Retratos de Paranaenses.
