quinta-feira, 10 setembro, 2026
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Divã de Ideias: Simetria impossível

Por Fernando Simonetti – Recentemente escrevi sobre nossa condição replicante. Uma das partes interessantes de colocar o pensamento no papel em ato contínuo é deixar grande parte das reflexões sobre aquele conteúdo para depois.

Em algum momento dessa sequência interpretei nosso formato meio copiado meio adaptado pelo perturbador olhar dessa simetria impossível que tanto acreditamos ser possível.

Nada mais parece nos escapar disso que desenvolvemos enquanto sensação de controle sobre a existência. Talvez o que ainda não compunha essa nossa lista fosse o tempo. Pois demos um jeito de incluir seu controle em nosso rol parte arrogante, parte autossuficiente.

Na fantasia muitos também tentaram. Do Highlander imortalizado por Lambert aos icônicos Marty Mcfly e Dr. Emmet Brown. Digamos que as coisas nunca foram tão simples nas telas. Porque pensamos que poderiam ser fora delas?

A impressão que passamos é que batemos o pé e não aceitamos envelhecer. Queremos um pouco daquele pó mágico que a Sininho distribui ao garoto Pan, na ilusão de que no ajuste do corpo ajustaremos também o relógio da alma.

Assim, a humanidade busca sem perceber um recente estereótipo que no fim das contas reduz todos à mesma simetria da ordem do comum. Alinhamos os dentes, enquadramos o que nos parece fora do esquadro em rosto e corpo e aguardamos a próxima onda estética anunciada por um desistente da onda estética anterior.

Em algum momento descobrimos que padecemos de controle sobre tantas coisas de ordem mais básica e nos questionamos como pudemos acreditar que controlaríamos a ordem das coisas.

Do tempo lógico ao cronológico, nenhum deles se sujeita a um mestre da matéria. Por serem da ordem da essência das coisas, sujeitam-se somente a sua própria métrica.

“Eu não sou senhor do tempo mas eu sei que vai chover.”

É melhor seguirmos a lição do Chorão e apostarmos na chuva.

Em Curitiba, é o único tempo previsível.

Fernando Simonetti é psicólogo graduado pela PUC-PR. A Psicologia em que ele acredita tem relação com o trabalho integral da pessoa, com o respeito e a ética irrenunciáveis na compreensão do que atravessa o sujeito e, principalmente, na capacidade de reconhecer o espaço do outro, respeitá-lo e conduzi-lo a um lugar mais seguro. Fernando acredita também no trabalho clínico que constrói um espaço acolhedor pela escuta e viabiliza mudança através da elaboração da palavra.

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