segunda-feira, 15 junho, 2026
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Catolicismo permite rezar pelo Brasil na Copa, mas nem tudo vale

Assessoria – No futebol, a fé católica se destaca de várias maneiras – nos gestos dos torcedores aflitos, que se ajoelham à espera do gol; nas interjeições a cada lance emocionante e até nos bordões de narradores famosos. Quem não se lembra do expressivo “Minha Nossa Senhora!”  de Silvio Luiz ou “Com fé no pé”, de Luiz Roberto, nas cobranças de pênaltis?

Com o início da Copa do Mundo 2026, uma coisa é certa: milhões de brasileiros vão rezar pela seleção e outros tantos farão promessas pelo Hexa. Mas como ligar futebol e religião sem confundir oração com superstição ou desejar o fracasso dos adversários?

O Padre João Marcos Polak, missionário da Associação Evangelizar é Preciso e apaixonado por futebol, afirma que o Mundial pode ser vivido com fé e entusiasmo, mas sem perder de vista aquilo que realmente importa. “O futebol é uma paixão saudável, promove alegria, convivência e emoção. Mas é importante lembrar que nossa verdadeira esperança não deve estar em uma vitória esportiva”, adverte.

Segundo o Sacerdote, a oração é algo individual e pode estar presente nos momentos esportivos. Mas não deve ser encarada pelo torcedor como uma tentativa de influenciar o placar por meio de uma intercessão divina. “A oração faz parte de todas as dimensões da vida humana, inclusive do esporte. Podemos apresentar a Deus nossos desejos e expectativas. No entanto, a oração cristã não é uma tentativa de convencer Deus a favorecer um time. Eu prefiro rezar para que os atletas tenham saúde, honestidade, respeito e façam o seu melhor”, explica.

A difícil missão de amar os adversários

Entre as dúvidas mais comuns dos torcedores está aquela que surge quando o rival entra em campo. Afinal, é correto rezar para o outro time perder? Com bom humor, o Padre admite que a questão não é tão simples para um palmeirense. “Como palmeirense, a tentação da oração é grande: ‘Senhor, abençoai o Palmeiras… e, se for da Vossa vontade… nem precisa abençoar o Corinthians hoje’”, brinca.

Mas ele logo faz a ressalva. “Falando como Padre, a oração correta seria: ‘Senhor, dai-nos um bom jogo, sem violência, com respeito entre os torcedores e que vença o melhor’. A rivalidade saudável faz parte da beleza do futebol. O problema é quando ela se transforma em ódio.”

O Sacerdote também alerta para o cuidado com promessas feitas em troca de vitórias e títulos. “A promessa é uma prática séria da fé e deve estar ligada ao crescimento espiritual. Não deve ser vista como uma negociação com Deus. A verdadeira promessa deve nos aproximar mais de Deus e do próximo, independentemente do resultado de uma competição”, completa.

Quando a emoção faz a oração aparecer

Torcedor católico e “louco” por futebol, Sérgio Aparecido de Souza Júnior conhece bem a mistura de sentimentos que acompanha uma Copa do Mundo. Ele conta que seu amor pelo esporte começou ainda na infância, ouvindo partidas pelo rádio. “A Copa do Mundo tem um significado muito especial porque é um momento em que as pessoas se aproximam. É uma nação inteira reunida, compartilhando sentimentos, expectativas e emoções”, diz.

Embora não tenha o hábito de rezar antes dos jogos, ele admite que a fé costuma aparecer nos momentos mais tensos. “Durante as partidas, principalmente nos momentos mais difíceis, a oração surge naturalmente. Acho que muita gente se identifica com isso. Quando a emoção toma conta, a fé acaba caminhando junto”, completa.

Sérgio conta ainda que já chegou a fazer promessas relacionadas ao desempenho da Seleção. “Lembro de ter feito um propósito de parar de reclamar tanto da vida caso o Brasil conquistasse a Copa. Mas depois percebi que essa mudança não deveria depender de um resultado esportivo. É algo que preciso buscar por mim mesmo, sempre pedindo a ajuda de Jesus para me tornar uma pessoa melhor.”

Devoto de São Pio, ele afirma que costuma recorrer à intercessão do Santo em momentos de pressão e reconhece que a fé ajuda a lidar melhor com as derrotas. “Quando a Seleção Brasileira vai mal, confesso que a raiva aparece antes da reflexão”, diz, entre risos.

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