terça-feira, 12 maio, 2026
HomeMemorialA ENTREVISTA PREMONITÓRIA DA REVISTA BONIJURS

A ENTREVISTA PREMONITÓRIA DA REVISTA BONIJURS

Rodrigo Chemin: premonição na entrevista
Rodrigo Chemin: premonição na entrevista

Em fevereiro de 2018, a nova revista Bonijuris chega ao assinante e às livrarias trazendo em suas páginas internas uma entrevista com o procurador de justiça, Rodrigo Chemim, que ganhou a aura de premonitória.

QUASE POR ACASO

Chemim estudou a similitude das operações Lava-Jato e Mãos Limpas, esta deflagrada em 1992, e viu nelas compatibilidades assustadoras, a começar por sua descoberta, quase por caso, em uma investigação-padrão da Polícia Federal.

PRISÃO PREVENTIVA PROIBIDA

O que interessa aqui, no entanto, não é seu histórico, mas seu futuro. O da Itália já chegou. O da Lava-Jato está por vir.

Chemim previu que haveria reação por parte do Congresso Nacional e do Judiciário, mas ela ocorreu na ordem inversa.

No parlamento, ainda alvo de ataques da população (vide caso recente envolvendo a senadora petista Gleisi Hoffmann) há um sentimento de vergonha cujo antídoto é o tempo. Já no Judiciário, ministros do Supremo Tribunal Federal, em especial Gilmar Mendes, um intocável de quinto grau, se veem à vontade para urdir formas de amordaçar a Lava-Jato, atacando-a em decisões como a proibição da prisão preventiva em decisão monocrática ou concedendo habeas corpus continuamente, sem considerar os argumentos do Ministério Público e da Procuradoria Geral da República.

Embora sejamos obrigados a reconhecer que há certos excessos do MPF. São gerados por exibicionismo de parte de alguns de seus membros.

Gilmar Mendes: na crista da onda
Gilmar Mendes: na crista da onda

Dallagnoll, que posa de neo-cruzado, pode ser enquadrado nesse rol. E, também, reconheça-se que em certos momentos o MP assume posições e o comando de decisões que deveriam ser apenas do judiciário.

FORÇA PARALELA

Mendes está enredado em denúncias. A mais recente por seu particular envolvimento com o empresário Joesley Batista. Ainda assim, se sente à vontade para tratar a Lava-Jato como uma força paralela dentro do esquema Judiciário que pouco age com a caça aos corruptos Brasil afora.

ELE JÁ VIU ESSE FILME

Chemim já leu esse livro, já viu esse filme, já conhece essa história.

Estudou a fundo a operação Mãos Limpas, passou ano na Itália, pesquisou os arquivos, conversou com envolvidos. O resultado está no livro “Mãos Limpas, Lava-Jato, a corrupção se olha no espelho” (Editora Editel, 288 págs., 2017) que está nas livrarias.

ANESTESIA GERAL

O resultado da operação Mãos Limpas entre os italianos já é conhecido.

Passado um quarto de século do episódio, a corrupção segue em níveis elevados e o que se assiste é uma anestesia geral. Não se vê perspectiva de reação em um futuro breve. Hoje punir um corrupto na Itália é quase um ato heroico.

“Trilhar o mesmo caminho que a Itália trilhou é triste”, diz Chemim.

“Espero que seja diferente”.

Leia Também

Leia Também