Assessoria – Criada na década de 1970 por um grupo de motoristas de Curitiba, a Associação Radiotáxi Faixa Vermelha completa 50 anos no mês de maio. Com cerca de 500 profissionais associados, a primeira central de radiotáxi do Brasil é também a maior do Paraná. Em meio século, a associação acompanhou a evolução do serviço de táxi, reuniu inúmeras histórias que atravessam gerações e contribuiu para a perenidade do modelo mais tradicional de transporte individual de passageiros.
Fundada em 1976, com a liderança do a associação surgiu na época dos “choferes de praça”. Filho de um dos primeiros integrantes da central e motorista há mais de quatro décadas, o taxista Udo Benke lembra de como o funcionamento da rede dependia do esforço coletivo dos associados. “Eles não tinham estrutura. Então, se revezavam: um atendia telefone, outro operava o rádio e os demais iam para a rua. Era um ajudando o outro para manter o serviço 24 horas”, conta.
Segundo Benke, no contexto de uma Curitiba menos urbanizada e mais fria, e do predomínio de carros econômicos no serviço de táxi, com destaque para o Fusca e o Corcel, as condições de trabalho também eram bem diferentes. “Eu lembro do meu pai levando travesseiro e cobertor para trabalhar à noite, porque os carros não tinham nem ar quente”, relembra.
O taxista conta que, nos primeiros anos de central, a comunicação era feita por rádio PX – de curto e médio alcance –, em meio a ruídos constantes e códigos “Q”, usados em radiocomunicação para simplificar mensagens, como QAP, para informar prontidão, e QSL, para confirmar o recebimento do comando. Ainda assim, o sistema funcionava com precisão, muito por conta de personagens marcantes, como a telefonista que memorizava endereços e identificava clientes apenas pela voz. “Ela tinha um mapa inteiro da cidade na cabeça”, completa.
Da tradição à inovação: tecnologia e “motorista de confiança”

Pioneira na implantação do sistema de central de radiotáxi no país, a Associação Faixa Vermelha atravessou décadas de transformação do serviço e esteve à frente na implantação de novidades que foram “moldando” o transporte individual de passageiros. Muito antes do surgimento dos aplicativos de carona, a central implantou o primeiro sistema de despacho automático do Brasil – tecnologia que identifica o táxi mais próximo e encaminha a corrida diretamente ao motorista, sem necessidade de intermediação manual.
Ao longo do tempo, a Radiotáxi Faixa Vermelha incorporou novas tecnologias e, além do popular canal telefônico 3262-6262 – que preserva o mesmo número desde a fundação da central –, tem também o aplicativo Táxi 62 e atendimento automatizado por mensagens instantâneas (WhatsApp). A frota também evoluiu e ficou cada vez mais diversificada. Hoje, a associação tem os icônicos táxis laranjas, 70 carros de luxo descaracterizados, do serviço de táxi executivo Black62, e veículos elétricos de última geração.
Para o presidente da Radiotáxi Faixa Vermelha, Willian Castanha, que também é taxista há 20 anos, a modernização da frota e do atendimento contribuiu para a competitividade do serviço de táxi diante dos novos modelos de transporte individual. Mas os diferenciais que asseguram a continuidade do serviço tradicional, segundo ele, são a qualidade e confiabilidade. “O nosso atendimento sempre foi focado em excelência, que faz com que os passageiros busquem pelo ‘motorista de confiança’. O cliente confia a nós sua família, seus pertences, sua pontualidade nos compromissos. E nossa rede de motoristas experientes e qualificados nunca decepciona”, avalia.
Segundo Castanha, com veículos cadastrados e monitorados, motoristas credenciados e canais de atendimento direto, a central oferece uma estrutura que vai além da corrida. “É um serviço que traz tranquilidade. Se houver qualquer problema, existe um suporte imediato. A segurança que o táxi da central transmite é tão grande que moradores pedem pontos de táxi em determinadas ruas, porque querem a presença dos motoristas da central na vizinhança”, reforça.
A relação de confiança e lealdade com a central é percebida por quem, há décadas, ocupa o banco do passageiro dos táxis da central. Cliente da Faixa Vermelha desde os 13 anos, o empresário Marcelo Almeida conta que nunca utilizou nenhum outro serviço de transporte individual em Curitiba. “Desde o início, eu conhecia os motoristas pelo nome, sabia quem ia me buscar. E é assim até hoje. Isso criou um vínculo que não se perde. Estou com quase 60 anos e ando mais de táxi do que com carro próprio”, relata.
