
Nada mais forte e comovente do que o discurso com que o reitor da PUCPR, Waldemiro Gremski, recebeu, na semana, o título de Cidadão Honorário de Curitiba, na Câmara Municipal. Foi uma espécie de prestação de contas do cientista, educador, homem de ciência e de fé que está dando um norte todo especial à instituição de direito pontifício que os Irmãos Maristas dirigem e são donos.
Foi uma notável viagem no tempo a partir da ótica de um ser humano muito especial, diferenciado.
E o presidente da mantenedora da PUCPR, irmão marista Délcio Balestrin, sintetizou-me, depois, na recepção, a importância de Gremski: “Ele está no lugar certo. Certíssimo”.
Gremski começou a fala por fazer um inventário de Serrinha, hoje distrito de Contenda, onde nasceu há 71 anos. Ameno, um diplomata, sua grande característica, o reitor descreveu Serrinha como sua Pasárgada – bonita, cheia de referência de sua infância, “uma Suíça”, disse com o melhor tom de voz, ele que na juventude foi locutor profissional de rádio.
UMA SUÍÇA
Falou de marcos daquele espaço de nascimento, como a Igreja com sua padroeira Sant’Ana, a terra fértil, os homens e mulheres do campo. Deu ênfase à família, “na qual todos se divertiam, trabalhavam e rezavam juntos.”
Num dado momento, nessa busca do tempo passado (jamais perdido), o reitor Waldemiro virou-se para o cônsul da Polônia, que fazia parte da mesa: “Lá tudo era falado em polonês. Em polonês nos divertíamos, nos comunicávamos, até os palavrões eram na língua de nossos ancestrais”.
“Waldemiro Gremski, sem rancores, tratou sutilmente as perseguições de que foi alvo por parte de órgãos de repressão política, que chegaram a criar dificuldades para suas viagens internacionais (fato que conheço, embora ele não tenha mencionado isso no discurso).”
O discurso do reitor, que depois seria proclamado Cidadão Honorário de Curitiba, foi ouvido com muita atenção. Não é exagero: além do conteúdo objetivo, com pinceladas testemunhais de um tempo em que até perseguições políticas Gremski sofreu, houve momentos comoventes. Um deles quando citou e homenageou os que por primeiro acreditaram nele, como o professor Constantino Comninos, que o encaminhou nos anos 1960 para um estágio em Harvard. Foi o ponto de partida, admitiu para uma longa viagem em que o futuro biólogo, doutor com 3 pós-doutorados, iria pesquisar em campos difíceis, como o do câncer. E aperfeiçoar-se em instituições de ponta, como o Instituto Ludwig e o Instituto Karolisnka, da Suécia, e universidades norte-americanas.
SEM RANCORES

Waldemiro Gremski, sem rancores, tratou sutilmente as perseguições de que foi alvo por parte de órgãos de repressão política, que chegaram a criar dificuldades para suas viagens internacionais (fato que conheço, embora ele não tenha mencionado isso no discurso).
A menina dos olhos de Gremski não escapou na sua fala: o projeto de internacionalização da PUCPR. Foi mostrado amplamente, depois, em vídeo da instituição. E assim também o enorme investimento que a PUCPR faz em tecnoparques, com os quais se define pela pesquisa tecnológica e inovação.
A Universidade, disse, quer ganhar o grau de Universidade Mundial na próxima década.
Foram dezenas de pessoas a quem citou, em menções carregadas de carinho, muito além de obrigações protocolares. Assim, os irmãos Sperandio, provincial da Província Marista, Délcio, dirigente da mantenedora da PUCPR, e Pedrinho, superintendente da área de Saúde da PUCPR foram saudados como quem agradece por apoio inestimável. E eles não têm negado apoio ao reitor.
Para o vereador Tito Zeglin, que propôs o projeto de Cidadania, mostrou-se grato e fez referência a ele – e a outros presentes – como companheiros de uma outra família, além da sua – que ali esteve: a chamada Família Vicentina. Os chamados Fabianos.
Gremski, com incontido orgulho, agradeceu aos padres Vicentinos pela formação que teve, no seminário menor e depois no Maior.
Da fala de Gremski não é difícil de concluir: o coração do novo cidadão curitibano está onde sempre esteve, na universidade, especialmente na PUCPR de hoje, que vai recebendo de forma definitiva as marcas desse educador, uma feliz escolha dos Maristas, há 3 anos, para substituir Clemente Ivo Juliatto.
Assim é, apenas em parte, esse cientista, ex-professor da UFPR, diretor do Laboratório de Células Tronco da instituição, acadêmico com ampla presença, com trabalhos científicos indexados em grandes publicações mundiais.
E que, nos sábados de manhã, pode ser encontrado na Paróquia de N. S. Salette ministrando catecismo para adultos.
