
Mestranda em Direito pelo UniCuritiba, Sthefani Peres será reconhecida com o prêmio Profissionais do Ano, por seus estudos e empenho na conscientização sobre o tema. Os números são alarmanters: tráfico cresce também no Paraná
Por Marlise Groth, jornalista
O tráfico de pessoas é considerado o terceiro crime mais rentável do mundo, atrás apenas do tráfico de armas e de drogas. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), 50% das vítimas são mulheres e um terço, crianças. Metade dos casos são alvo da exploração sexual e 38% do trabalho escravo, mas há ainda o aliciamento para o crime, casamento forçado, adoção ilegal e remoção de órgãos.
No Brasil, dados do Disque Direitos Humanos (Disque 100) revelam que 5.125 denúncias de trabalho escravo e tráfico de pessoas foram feitas entre 2012 e 2019. Deste total, 326 foram relacionadas ao tráfico para adoção ilegal – nacional ou internacional; 346 casos de exploração sexual e 51 para fins de remoção de órgãos. Segundo o último relatório do Ministério da Justiça, o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) atendeu, de 2017 a 2020, mais de 1.800 vítimas de tráfico de pessoas, a maioria (65%) homens relacionados à finalidade de trabalho escravo.
TAMBÉM NO PARANÁ
Estudiosa do assunto, a advogada Sthefani Peres, mestranda em Direito pelo UniCuritiba – instituição que faz parte da Ânima Educação, uma das maiores organizações educacionais de ensino superior do país – diz que a situação é grave também no Paraná e faz um alerta. “Mesmo impressionantes, esses dados não refletem inteiramente a realidade.
O tráfico de pessoas é um crime subnotificado e muitos casos sequer chegam ao conhecimento das autoridades e entram para as estatísticas. Muitas vítimas não denunciam por medo, vergonha ou simplesmente nem percebem que foram alvo de um crime”, explica. Tráfico humano em Curitiba De acordo com Sthefani, do total de denúncias no País, pelo Disque 100, 271 foram registradas no Paraná.
O tráfico de crianças e adolescentes somou, de 2012 a 2019, 3.601 denúncias, sendo 169 no Estado. Deste total, 32 foram em Curitiba, a cidade com mais registros. Como resultado às suas pesquisas, trabalho e esforços de conscientização sobre a necessidade de enfrentamento ao tráfico humano, a advogada receberá o Prêmio Profissionais do Ano 2021, concedido pela Câmara de Vereadores de Curitiba.
A entrega da honraria será no dia 30 de setembro, no gabinete da vereadora Tânia Guerreiro, responsável pela indicação. Além da estudante do UniCuritiba, outras 24 personalidades terão sua atuação em outras áreas reconhecida pelo Legislativo.
Dissertação de mestrado Graduada em Direito e em Ciências Econômicas, Sthefani Peres mantém seu foco de atuação e pesquisa no campo do direito civil, direitos humanos e tráfico de pessoas. “Esse tema do tráfico humano me é afeto tem algum tempo e será, inclusive, meu tema de dissertação no mestrado do UniCuritiba. Tenho participado de várias palestras, estudos e pesquisas e procuro contribuir para a conscientização das pessoas sobre a realidade e a gravidade deste assunto”, diz.
