
No artigo que escreveu segunda-feira, dia 7, no New York Times, Jaime Lerner dá muita ênfase à Universidade Livre do Meio Ambiente, que criou em sua primeira administração na Prefeitura de Curitiba. Cita a ação como exemplo da boa política de sustentabilidade: transformou a área em que estabeleceu a UniLivre, antes degradada, num parque de preservação ambiental, e local onde também se ensinam práticas de sustentabilidade.
“Lerner reafirmou ser contra a implantação de metrô para solucionar a questão de mobilidade urbana: sua construção é muito cara, ao contrário do BRT.”
O ponto mais saliente, na minha opinião, do artigo de Lerner é a insistência com que mostra ser o BRT – ônibus transitando em canaletas exclusiva, tal como implantou com a rede de expressos em Curitiba em 1974 – como a melhor alternativa de mobilidade urbana. Para qualquer cidade de porte.

Lerner reafirmou ser contra a implantação de metrô para solucionar a questão de mobilidade urbana: sua construção é muito cara, ao contrário do BRT, sistema hoje replicado em cidades como Rio de Janeiro, Beijem, Seul, Bogotá… São mais ou menos 220 cidades – disse – que adotam o BRT.
No artigo “Como construir uma cidade sustentável” Jaime Lerner cita ainda um novo modelo de BRT, como altamente desejável: será de ônibus movido a eletricidade, com pneus, e com possibilidade de reabastecimento a cada parada.
No artigo do urbanista que promoveu em Curitiba, nos anos 1970, revolução urbana que se mostrou exemplar para o mundo, o carro é demonizado. Diz que cada carro ocupa 50 metros quadrados de área de estacionamento, divididos entre casa e trabalho. Essa área, enfatizou, poderia ser usada para atividades como o pequeno comércio – livrarias, cafés, mercearias – e praças públicas e pequenos parques.
“… cada carro ocupa 50 metros quadrados de área de estacionamento, sendo 25m2 em casa e 25 m2 em no trabalho. Essa área poderia ser usada para livrarias, cafés, mercearias…praças…”
O automóvel, para Lerner, na cidade sustentável, deve ser de ser usado com moderação. A preferência deve ser dada ao transporte público, uma velha pregação que o urbanista curitibano faz desde o começo de 1970. “O carro será o cigarro do futuro”, admitiu: evitado pelos que têm bom senso.
E, com alguma satisfação, deve estar vendo – acredito – ser este o catecismo de uma nova geração de homens e mulheres que, 40 anos depois, defendem a sustentabilidade nas cidades. O que é sinal de que Lerner não pregou no vazio.
