
Carol Dartora e Oscalino do Povo serão presidente e vice; relatoria coube a Herivelto Oliveira e João da 5 Irmãos, na vice. Comissão tem 60 dias para avaliar monumentos e edificações públicas
Nesta quarta-feira (4), logo após a sessão plenária da Câmara Municipal de Curitiba (CMC), os vereadores da Comissão da Visibilidade Negra escolheram a presidência e a relatoria do colegiado. Carol Dartora (PT) presidirá os trabalhos da comissão especial, com o apoio de Oscalino do Povo (PP) na vice.
A relatoria foi entregue a Herivelto Oliveira (Cidadania) e João da 5 Irmãos (PSL). Também compõem o colegiado Jornalista Márcio Barros (PSD), Osias Moraes (Republicanos) e Serginho do Posto (DEM). “Curitiba, que não é diferente de outras cidades do Brasil, que infelizmente passou por esse processo de racismo estrutural. Que deixou a presença negra apagada. Essa comissão é importante por isso, para recontar a história da população negra, que também quer ser honrada [nos monumentos, estátuas, nomes de rua]”, disse Carol Dartora, em seu primeiro pronunciamento à frente da comissão especial. Sem data marcada, na próxima reunião será aprovado o regulamento do colegiado.

PRAZO E OBJETIVOS
A Comissão da Visibilidade Negra, no papel, chama-se Comissão Especial para Tratar de Visibilidade da Presença Negra na Cidade de Curitiba e da Contextualização Histórica de Monumentos, Edifícios e Logradouros Públicos Visando ao Direito da Sociedade ao Conhecimento de Sua Formação Histórica, Intelectual e Cultural (051.00001.2020). Segundo o requerimento de criação, o grupo terá 60 dias para analisar os monumentos, equipamentos e logradouros públicos.

RESPOSTA
Proposta pela vereadora Maria Leticia (PV), a comissão foi aprovada em plenário em agosto de 2020 (leia mais). É uma resposta do Legislativo ao entendimento do Grupo de Trabalho Nacional de Políticas Étnico Raciais da Defensoria Pública da União que há um “apagamento e silenciamento” da população negra na história da capital do Paraná. Em síntese, os membros do colegiado revisarão as denominações de monumentos e edificações públicas, para ampliar a presença do povo no contexto histórico e turístico da cidade.
(IMPRENSA DA CMC)
ESTAVA NA HORA DO POVO NEGRO
A Câmara Municipal de Curitiba vai no caminho certo ao criar a Comissão de Visibilidade Negra, a qual caberá, em linhas gerais, gerir meios para que o poder público examine a presença da etnia negra na construção da cidade. E isso se dará por meio de exames de monumentos, de nomes de logradouros e na rememoração de fatos históricos, tarefa da dita Comissão. Uma avaliação básica do que se tem, e uma radiografia do que se pode fazer.
A importância da etnia negra não pode continuar escondida, o que até agora aconteceu também como parte do chamado racismo estrutural, do qual a cidade não está livre. Esse é o caminho, até para levar nossas autoridades maiores, como o prefeito (um inesgotável aficcionado basicamente das etnias européias) a ajudarem a “reescrever” a história da cidade.
Esta cidade que Jaime Lerner deu como modelo ao mundo não pode separar cidadãos por etnia, cor da pele, credos, expressões sexuais, gênero. E não deveria criar – como cria – tantas barreiras aos menos aquinhoados pelo “deus mamon”…
A presença na Comissão de Herivelto Oliveira, que conheço há anos, desde quando foi “descoberto” por Gilberto Larsen (in memoriam), mais Oscalino do Povo e Carol Dartora – é indicativo que o trabalho caminhará nos níveis de civilização do curitibano; índice que os negros muito ajudaram a plasmar.
Quem se lembra, por exemplo, que nos meados dos anos 1960, tivemos um negro dirigindo a Faculdade de Medicina da UFPR? Essa é minha contribuição à Comissão. O que nunca se poderá ter aqui são tristes espetáculos, como os vistos em São Paulo, de depredação de monumentos (o de Borba Gato, por exemplo), e manifestações “xiitas” em prol de igualdade racial. Justiça não se faz cometendo injustiças.
