quinta-feira, 7 maio, 2026
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Mudança de voz: quando a cirurgia é indicada ou não

Assessoria – A relação entre voz e identidade tem colocado a readequação vocal no centro das discussões médicas e comportamentais. Nesse contexto, surgem dúvidas importantes: até onde a cirurgia de voz pode ir e em quais situações ela não é indicada? Essas são algumas das perguntas mais frequentes quando o assunto é mudança vocal.

Segundo o otorrinolaringologista e laringologista Guilherme Catani, a cirurgia de voz é uma ferramenta eficaz quando bem indicada, mas não é uma solução universal. “A cirurgia não resolve tudo. Ela é indicada para situações específicas, principalmente quando existe a possibilidade de modificar a anatomia da laringe para alterar a tonalidade vocal”, explica.

Um dos questionamentos mais frequentes é de pacientes que não se identificam com o próprio timbre. “Minha voz é muito fina, não me representa. Existe cirurgia para isso?” Sim, há possibilidade. “Quando há indicação, conseguimos alterar a anatomia da laringe e modificar a tonalidade da voz”, afirma Catani.

Por outro lado, nem toda queixa vocal tem indicação cirúrgica. Casos de voz grossa e rouca, por exemplo, exigem uma investigação mais detalhada antes de qualquer decisão. “É fundamental avaliar, fazer exames e entender a causa para definir a melhor conduta”, destaca.

Outro ponto importante envolve as alterações de ressonância, como a voz anasalada. Nesses casos, a abordagem é diferente. “A cirurgia de voz não é indicada. O correto é avaliar as vias respiratórias, como septo e cornetos nasais, além da função nasal”, explica o médico.

A readequação vocal também tem ganhado destaque como parte da construção da identidade. Pacientes que buscam alinhar a voz com quem são encontram na medicina da voz um caminho possível, desde que com avaliação criteriosa e acompanhamento adequado. “É possível mudar a voz, sim, com planejamento correto e um bom pós-operatório”, reforça.

Com formação pela Universidade Federal do Paraná e atuação como professor e especialista em cirurgias da laringe, Catani destaca que cada caso deve ser analisado de forma individual. “O mais importante é entender que existe um limite técnico e biológico. Quando bem indicada, a cirurgia resolve aquilo que realmente é um caso cirúrgico, nem mais, nem menos”, conclui.

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