sexta-feira, 7 agosto, 2026
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PARANÁ TEM MAIOR FILA POR LEITOS PARA COVID DO PAÍS

Paraná tem maior fila por leitos para covid do país

(Da Folha de Londrina)

É com um pedido de socorro que a médica intensivista Karla Moretto finalizou o relato à Folha de S.Paulo em que trata do cenário enfrentado em um dos maiores hospitais de Curitiba diante da explosão de internamentos por Covid-19. A profissional apela para que governantes imponham medidas mais restritivas para diminuir a circulação do vírus pelo estado. “Sou sensível ao impacto econômico ocasionado pela pandemia, porém, para mim, a variável mais importante é se queremos que o desequilíbrio econômico, que parece certo, virá com maior ou menor contabilização de mortes”, afirmou a médica.

O Paraná tem a maior fila por leitos do país: 1.185 pessoas aguardavam vagas na quarta-feira (10) em todo o estado – 567 para UTIs e 618 para leitos de enfermaria. De outro lado, no final da tarde, havia apenas 48 UTIs disponíveis. Há um mês, a fila era composta por 45 pessoas, ou seja, houve um aumento de mais de 25 vezes na demanda. Mesmo assim, o governador Ratinho Junior (PSD) anunciou o fim do “lockdown”, que durou 12 dias, e autorizou a reabertura do comércio e das escolas com modelo híbrido de ensino nesta quarta, com restrições de horário e público.

O toque de recolher das 20h às 5h permanece e, aos fins de semana, os estabelecimentos continuam fechados. A flexibilização das medidas ocorreu num cenário pior do que o anterior. Na sexta-feira (5), dia do anúncio do governo, nenhum dos principais indicadores da pandemia no estado estava melhor do que no primeiro dia de lockdown, em 26 de fevereiro. Apesar de afirmar que o estado deve viver um mês de março “muito difícil”, Ratinho justificou que é necessária “uma oxigenação no comércio, para que não seja tão prejudicado”.

“O que vai fazer a gente salvar vidas, agora, é a consciência de cada um. Não é um decreto, uma folha de papel, uma assinatura minha que, sozinha, vai salvar vidas, mas sim as pessoas entenderem que estamos na maior guerra de saúde pública dos últimos cem anos”, disse.

Mesma direção seguiu a prefeitura de Curitiba, que manteve, nesta terça-feira (9), a bandeira média de restrições, impondo limite de público e horário para funcionamento das atividades. Nas redes sociais, o prefeito Rafael Greca (DEM) não descartou um futuro confinamento. “Se, passada essa fase em bandeira laranja, com emergência de alerta máximo, [não houver resultados], aí sim seremos obrigados ao lockdown. Com o coração apertado, cumpro meu dever de prefeito ao anunciar que estamos chegando ao nosso limite”, declarou.

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