Assessoria – Curitiba vive um dos momentos mais aquecidos de sua história no mercado imobiliário de alto padrão. A capital paranaense consolidou-se entre os principais polos brasileiros para empreendimentos de luxo e superluxo, impulsionada por fatores como qualidade de vida, segurança, infraestrutura urbana e valorização imobiliária. Mais do que apartamentos amplos e acabamentos sofisticados, o novo perfil do consumidor busca projetos autorais, tecnologia, serviços personalizados e espaços voltados ao bem-estar.
Os números ajudam a explicar esse movimento. Segundo o Índice de Demanda Imobiliária (IDI Brasil), Curitiba ocupa atualmente a oitava posição nacional entre as cidades mais atrativas para empreendimentos de alto padrão. Já um levantamento da Brain Inteligência Estratégica mostra que, entre 2020 e 2025, a participação dos lançamentos voltados ao segmento de luxo praticamente dobrou na cidade, passando de 6,6% para 12,5% do total de novos empreendimentos.
Outro levantamento, realizado pela Loft com cerca de 15 mil anúncios ativos entre agosto e outubro de 2025, confirma a força dos chamados “bolsões de alto padrão“. Batel, Mossunguê, Campo Comprido, Bigorrilho e Cabral lideram o ranking dos bairros com os maiores tíquetes médios para imóveis acima de 125 metros quadrados, com valores próximos ou superiores a R$ 3 milhões.
Para o sócio-fundador e diretor-executivo da JBA Imóveis, Ilso Gonçalves, Curitiba passou a ocupar um espaço que antes era restrito a poucos mercados tradicionais do país. “Curitiba reúne uma combinação difícil de encontrar em outras capitais: segurança, excelente infraestrutura de saúde, educação e gastronomia, mobilidade urbana e um custo imobiliário ainda competitivo quando comparado a cidades como São Paulo. Isso fez com que a cidade passasse a ser vista como um excelente lugar para viver e investir“, analisa.
Segundo ele, a capital também passou a atrair compradores de outras regiões do país, especialmente empresários ligados ao agronegócio e executivos que buscam qualidade de vida para suas famílias, sem abrir mão da proximidade com grandes centros econômicos.
Bem-estar, tecnologia e tempo como novos símbolos de luxo
Embora a localização e o tamanho do imóvel continuem sendo fatores importantes, eles deixaram de ser suficientes para definir um imóvel de alto padrão. Arquitetura assinada, paisagismo, qualidade construtiva e áreas comuns que proporcionam experiências relaxantes e revigorantes passaram a ter peso semelhante na decisão de compra. “Hoje o cliente analisa o projeto como um todo. Ele observa quem assina a arquitetura, a qualidade da construtora, a implantação do edifício no terreno e toda a experiência que o empreendimento oferece. O luxo deixou de estar apenas dentro do apartamento e a busca não é por requinte, mas por satisfação“, afirma Ilso.
Segundo ele, academias equipadas com aparelhos de alto desempenho, piscinas aquecidas, espaços de massagem, áreas verdes, ambientes sensoriais, automação residencial, infraestrutura para veículos elétricos e soluções de eficiência energética tornaram-se itens praticamente obrigatórios nos lançamentos.
Essa transformação é percebida no atendimento diário aos clientes. De acordo com o gerente da JBA Batel, Jorge Gonçalves, o consumidor tornou-se muito mais exigente e passou a valorizar atributos que vão além dos acabamentos. “O cliente hoje não olha apenas para os metros quadrados. Ele procura projetos exclusivos, arquitetura diferenciada, serviços e uma experiência completa de moradia“, explica.
Outro diferencial que começa a ganhar espaço são os serviços personalizados. Empreendimentos passam a oferecer estruturas semelhantes às de hotéis cinco estrelas, com concierge e atendimento pensado para facilitar a rotina dos moradores. “O grande diferencial deixou de ser apenas o imóvel. Hoje o cliente compra tempo, conveniência e experiências. Ter alguém que organize pequenos serviços do dia a dia ou ofereça atendimento personalizado faz parte desse novo conceito de luxo“, observa Jorge.
Para Ilso Gonçalves, os lançamentos de alto padrão também funcionam como uma vitrine do futuro da construção civil. “Quem compra um imóvel na planta está adquirindo tecnologias e soluções que só se tornarão comuns daqui a alguns anos. Assim como acontece com um carro novo, os empreendimentos mais recentes incorporam inovação, eficiência e conforto antes de chegarem ao restante do mercado“, afirma.
