Esporte e Destino por Marília Mesquita – Para quem vive com a prancha debaixo do braço, agosto é um dos melhores meses do ano para pegar ondas no Hemisfério Sul. Unir a paixão pelo surf à possibilidade de viajar fora da alta temporada garante três grandes vantagens: maior consistência de ondas, custos mais baixos com passagens e hospedagem e, em muitos destinos, praias menos movimentadas. Vale lembrar que, em alguns dos principais picos internacionais, como Bali, agosto corresponde justamente ao auge da temporada de surf, o que significa ondas de qualidade, mas também bastante crowd.
Seja para uma escapada de fim de semana pelo litoral brasileiro ou para uma surf trip internacional, confira alguns dos melhores destinos para colocar no radar neste mês.
Brasil: a força das frentes frias no Sul e Sudeste
Enquanto parte do Norte e do Nordeste enfrenta ventos alísios mais intensos, que podem deixar o mar mais mexido em diversas praias, o Sul e o Sudeste recebem com frequência as frentes frias vindas da Antártica. Esse cenário gera ondulações de sul e sudoeste de boa intensidade, frequentemente acompanhadas por ventos terral, criando excelentes condições para o surf.
Saquarema (Rio de Janeiro)
Conhecida como o “Maracanã do Surf” e oficialmente reconhecida como a Capital Nacional do Surf, Saquarema é um dos destinos mais procurados por quem busca ondas fortes e consistentes durante o inverno. As bancadas de areia costumam apresentar ótima formação nesta época do ano.
- Os picos: A Praia de Itaúna é o principal destaque, suportando ondulações acima de 2 a 3 metros e oferecendo esquerdas pesadas, rápidas e tubulares. Já a Praia da Vila apresenta direitas fortes e velozes, especialmente quando as ondulações entram de sul.
- Onde ficar: Hospedar-se no bairro de Itaúna facilita o acesso ao principal pico da cidade. A região conta com pousadas voltadas ao público surfista, muitas delas equipadas com espaço para lavar e guardar pranchas, além de diversas casas de temporada para grupos.
- Logística e equipamento: A água fica bastante fria durante o inverno devido ao fenômeno da ressurgência. Um neoprene 3/2 mm costuma atender bem a maioria dos surfistas, embora alguns prefiram um 2 mm em dias mais amenos. Também vale levar parafina para água fria e, em dias de swell mais forte, uma prancha com maior volume (step-up).

Florianópolis (Santa Catarina)
A geografia privilegiada da Ilha de Santa Catarina permite encontrar boas condições de surf para diferentes direções de vento e ondulação. Em agosto, a frequência de boas ondas costuma ser elevada.
- Os picos: O Campeche funciona muito bem com ondulações de sul, produzindo longas direitas de excelente qualidade. A Joaquina mantém sua fama pela consistência durante praticamente todo o inverno, enquanto a Praia do Moçambique oferece bastante espaço e ondas mais fortes em fundos de areia quando o mar ganha tamanho.
- Onde ficar: O Campeche e a Lagoa da Conceição oferecem excelente logística para acompanhar diariamente os boletins de ondas e deslocar-se rapidamente para diferentes praias da ilha.
- Logística e equipamento: O inverno catarinense exige neoprene 3/2 mm de boa qualidade e, nos dias mais frios, muitos surfistas optam por um 4/3 mm. Sapatilhas podem ser úteis durante as entradas mais geladas, embora não sejam indispensáveis para todos.
Internacional: auge da temporada no Oceano Índico e grandes ondas na América do Sul
Para quem pretende viajar ao exterior, agosto está entre os melhores meses do ano para surfar em alguns dos destinos mais desejados do planeta.
Indonésia (Bali e Ilhas Mentawai)
Agosto corresponde ao auge da estação seca (Dry Season) na Indonésia. Os ventos predominantes de sudeste favorecem a costa oeste de Bali, enquanto sucessivos sistemas de baixa pressão no Oceano Índico enviam ondulações consistentes para os famosos recifes da região.
- Os picos: A península de Bukit concentra alguns dos melhores picos do mundo. Uluwatu oferece diferentes opções para variados tamanhos de mar, Impossibles, uma das ondas mais famosas de Bali, proporciona longas paredes rápidas e Padang Padang produz alguns dos tubos mais perfeitos do planeta quando entram grandes ondulações do Índico. Nas Ilhas Mentawai, ondas como Lance’s Right (HT’s), Macaronis e outras quebram com consistência durante praticamente toda a temporada.
- Onde ficar: Em Bali, as regiões de Bingin, Uluwatu e Padang Padang permitem fácil acesso às principais ondas. Nas Mentawai, a experiência costuma acontecer por meio de surf charters (barcos que percorrem diferentes ilhas) ou resorts especializados.
- Logística e equipamento: Um quiver com duas ou três pranchas costuma atender bem a maioria das condições, incluindo uma prancha de performance e uma step-up para mares maiores. Surfistas experientes que pretendem enfrentar condições extremas podem considerar levar uma gun. Também são indispensáveis protetor solar de alta proteção, kit de primeiros socorros e cuidados extras devido aos recifes de coral.
Peru (Chicama e Máncora)
O litoral peruano oferece uma excelente combinação entre custo-benefício e qualidade de ondas durante o inverno do Hemisfério Sul. Ondulações de sudoeste chegam com frequência à costa, proporcionando ótimas condições de surf.
- Os picos: Chicama abriga uma das ondas esquerdas mais longas do planeta, permitindo longas sessões divididas em diferentes seções, como El Point, El Cape e El Hombre. Já Máncora, no norte do país, apresenta clima mais quente e esquerdas de excelente qualidade sobre fundo misto de areia e pedra.
- Onde ficar: Em Chicama, muitos hotéis localizam-se em frente ao pico e oferecem transporte de barco para facilitar o retorno ao outside após cada onda, tornando as longas descidas ainda mais aproveitáveis.
- Logística e equipamento: Em Chicama, um neoprene de 3/2 mm é recomendado devido à água fria. Já em Máncora, onde o mar costuma ser significativamente mais quente, muitos surfistas utilizam apenas lycra ou roupas de borracha mais finas. No pós-surf, vale aproveitar a gastronomia peruana, com destaque para ceviches, tiraditos e o tradicional Pisco Sour.
Dica de viagem: transporte das pranchas
- Boardbag (capa): Utilize uma capa acolchoada, preferencialmente com pelo menos 10 mm de proteção. Reforce o bico, a rabeta e as bordas das pranchas com espuma ou plástico-bolha para minimizar impactos durante o transporte.
- Bagagem: Consulte antecipadamente as regras da companhia aérea. Algumas cobram uma tarifa fixa para o transporte de pranchas, enquanto outras consideram o equipamento como bagagem esportiva ou excesso de bagagem.
- Quilhas e acessórios: Retire as quilhas antes de embalar as pranchas para reduzir o risco de danos. Também é recomendável levar parafusos reservas, chave de quilhas, leash extra e um pequeno kit para reparos emergenciais.

*Marília Mesquita é jornalista e assessora de imprensa. Entende que a combinação de esporte e viagens oferece uma mundo de oportunidades para experiêncas únicas, nos conectando com a natureza, enquanto exploramos diversas culturas.
