
A palavra vem do grego: eutanásia de euthanatos significa “boa morte”.
Nesta quinta (10), o cientista inglês David Goodall, 104, morreu em uma clínica na Suíça, onde, desde 1942, a legislação permite que qualquer pessoa, “com mente sã e que tenha, durante certo período de tempo, expressado um desejo consistente de encerrar sua vida, possa solicitar a chamada morte voluntária assistida”.
A visão cristã é absolutamente contrária à eutanásia.
A VIDA E SEU OFÍCIO
Maiakóvski, o poeta russo, diria: “Não há novidade na morte, difícil é a vida e seu ofício”. Isso antes dele mesmo dar um tiro no peito, aos 30 anos, quando a União Soviética já vivia sob o jugo de Stálin.
SEM DOENÇA TERMINAL
A novidade no caso de Goodall é que ele não sofria de nenhuma doença terminal. Havia perdido um pouco a mobilidade e sofria com a visão deficiente. Morreu porque cansou da vida. Outros países que legalizaram a “boa morte” não permitiriam que ele injetasse em si mesmo uma droga letal sem o diagnóstico de uma doença debilitante e sem cura. Na Austrália, onde Goodall vivia desde a infância, a eutanásia deve começar a ser admitida em 2019, mas não para casos como o dele.
TURISMO DA MORTE
Adversários da prática da morte assistida criticam a Suíça por estimular o que eles chamam de “turismo da morte”. Ecologista e botânico reconhecido mundialmente, Goodall tomou a decisão há cinco ou seis anos, como ele declarou, sorridente, em entrevista à imprensa Suíça, poucos dias antes de morrer. Disse que, depois de ser afastado, da Universidade de Edith Cowan, na Austrália, em 2016, onde era pesquisador, começara a acalentar a ideia da morte assistida.
A universidade depois reconsideraria sua decisão, mas Goodall já estava convencido do caminho que escolhera e não voltou atrás.

ALFAS, BETAS, IPSILONES
Em “Admirável Mundo Novo”, Aldous Huxley imagina uma sociedade distópica onde os humanos seriam gerados em provetas, seu código genético manipulado, suas funções previamente determinadas (alfas, betas e ipsilones), o sexo seria apenas um recreio e, em seu aniversário de 30 anos, eles se dirigiriam a uma sala especial no edifício do governo e lá seriam “apagados” com uma injeção letal. Ninguém poderia viver além dessa idade. Era lei.
KEVORKIAN
Nos Estados Unidos, o patologista Jack Kevorkian ganhou fama ao criar a máquina Thanatron (de Thanatos, morte em grego), que permitia aos pacientes cometer suicídio apertando um botão que liberava várias drogas em seu organismo – última o cloreto de potássio, fatal. Kevorkian foi processado várias vezes e apelidado pela mídia de “Dr. Morte”, mas não foi condenado. Em 2007, entretanto, cometeu o erro de operar ele mesmo a Thanatron, que então ganhara o nome de Mercytron (máquina da misericórdia), em um paciente terminal, cuja doença o impedia de apertar os botões que poriam fim a sua vida. Kevorkian cometeu outro erro: filmou a morte assistida e a exibiu em um programa de grande audiência nos EUA, o “60 minutes”.
Foi preso, processado e condenado a 25 anos de prisão. Morreu em 2011, de causas naturais, frise-se, quando a marca da população humana no planeta já batia os 7 bilhões. A Mercytron foi vendida em um leilão, cinco meses, depois por 200 mil dólares. Talvez porque, alguém, preocupado com a superpopulação mundial, já tenha na cabeça a intenção de patentear a máquina e produzi-la, em escala industrial, tão logo a eutanásia seja legalizada no mundo. É o que dizem: a morte é a única certeza.
A VISÃO CRISTÃ É SÓLIDA

A Igreja Católica, e a grande maioria das igrejas cristãs, têm bem fundamentadas posições em defesa da vida, contra a eutanásia.
Literatura produzida pelo magistério da Igreja Católica sobre o tema é farta. Leiam-se pronunciamentos de Bento XVI, Pio XII e João Paulo II, entre outros.
EM CURITIBA
Em Curitiba, há bioeticistas, como os médicos cirurgiões Cícero Urban e Raul Anselmi Junior- entre outros –que desenvolvem sólidos argumentos antieutanásia.
O próprio Instituto Ciência e Fé de Curitiba desenvolverá este ano conferências sobre eutanásia e ortotanásia.
EVANGÉLICOS
Também sugiro que sejam ouvidos, para ampliar a visão cristã sobre a vida, a opinião dos reverendos Juarez Marcondes Filho (Igreja Presbiteriana da Rua Comendador Araújo) e Jean Seletti, que dirigiu o Curso de Teologia Evangélico (extinto) de Curitiba.
Saletti é Mestre em Bioética pela Universidade de Brasília.
