terça-feira, 12 maio, 2026
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IDAS E VINDAS DE UM CANDIDATO. OU “ONDE ESTÁ OSMAR?”

Osmar: rumos incertos, ainda
Osmar: rumos incertos, ainda

A série “Where´s Wally?” (Onde está Wally?) publicada desde 1987 pelo inglês Martin Handford ilustra parte do estilo do ex-senador Osmar Dias. Saindo à frente no ano passado, ao lançar sua pré-candidatura ao governo do Paraná, Osmar sumiu.

MATEM O MENSAGEIRO

As informações dão conta de que ele está no interior em empenhada campanha nas cooperativas agrícolas, mas a notícia não chega aqui.

Talvez tenham liquidado o mensageiro, seguindo o velho estilo dos chineses da antiguidade – e também generais da Idade Média – quando não gostavam da notícia que recebiam, vinda de aliados ou inimigos.

SENTADO NO ALPENDRE

O que se sabe é que Osmar Dias segue no PDT. Contrafeito, mas segue. Se pudesse criava um partido. Seria o modo mais fácil de sentar-se no alpendre da fazenda e negociar alianças sem a barganha por cargos ou por interferências outras.

Martin Handford: “where is Wally?”
Martin Handford: “where is Wally?”

REQUIÃO E CIDA

Até semanas atrás, Osmar parecia ser o candidato mais viável para o Paraná, em tempo de ruinosa política. Mas sumiu. As más línguas dizem que trabalhava para selar uma aliança com Requião, outras que se esforçava para convencer a vice-governadora Cida Borghetti, que também postula a vaga, a se contentar, de novo, com o segundo cargo de maior importância no estado.

COMPROMISSO FAMILIAR

Os dilemas de Osmar são vários. Ele se dispõe a ficar no PDT desde que não seja obrigado a subir no palanque com Ciro Gomes, que irá concorrer à presidência pelo partido. O compromisso do ex-senador com o irmão Alvaro, ora correndo por fora na disputa ao planalto, é inegociável.

TERRA ARRASADA

Osmar foi vice-presidente do Banco do Brasil no governo Dilma e isso o faz nutrir grande estima pela impichada, apesar do cenário de terra arrasada que a petista deixou atrás de si.

Roberto Requião: aliança cogitada
Roberto Requião: aliança cogitada

TUCANO SEM NINHO

Osmar é um amigo de José Serra e tucano tradicional que não consegue retornar ao ninho. Ao menos, no Paraná. Por aqui a trupe de Beto Richa lhe deu as costas duas vezes: nas eleições de 2006 e na de 2010, quando o adversário de Osmar, aliás, foi o próprio Richa (reeleito no primeiro turno).

AMARGA DERROTA

Osmar carrega o estigma da indecisão. Em 2006, quando o favoritismo lhe bateu à porta, ele demorou até o último cantar do galo para anunciar-se candidato. Na contagem de voto, já no segundo turno, nunca a eleição ao governo lhe pareceu tão ganha. Requião, encastelado no Cangüiri, já havia jogado a toalha da recondução, mas a reviravolta se deu no Norte Pioneiro, a região mais pobre do estado, e Osmar engoliu o amargo sabor da vitória que não veio.

ALIANÇA DESASTROSA

Há outro fardo que pesa sobre os ombros do ex-senador. Ele tem fama de fechar alianças desastrosas. A chapa de 2010 é especialmente exemplar, mas no pior sentido. O vice do pedetista foi Rodrigo Rocha Loures, o homem da mala do governo Temer. Já os candidatos ao Senado eram Roberto Requião e Gleisi Hoffmann, que lucraram com a coligação ao saírem vitoriosos e risonhos. Osmar não pôde dizer o mesmo.

VICE?

Talvez a sua saída de cena, estratégica ele diria, tenha a ver com tudo isso. Talvez Osmar deva inverter os papéis e contentar-se com a vice na chapa de Cida Borghetti. É a alternativa que se lhe oferece num quadro em que o ex-senador veste muito bem o personagem de Martin Handford.

Onde está Osmar?

Fábio Campana: “sesmaria” do PSB
Fábio Campana: “sesmaria” do PSB

OLHAR DE CAMPANA

Reconhecidamente o mais afiado analista político do Paraná – e com um “savoir dire” inigualável -, Fábio Campana cravou na sua coluna desta quarta, 31, no Diário Indústria & Comércio, que Osmar não consegue mesmo é conviver com o presidente do PDT, Carlos Lupi, um “viúvo” dos PT, Lula e toda sua herança política.

Para Campana ainda, o pré-candidato Osmar Dias teria até se encontrado com lideranças nacionais do PSB, de olho em sua eventual entrada no partido, via Paraná.

Pretenderia dirigir a sigla aqui, segundo o mesmo Campana.

ANTIGA ‘SESMARIA’

Acontece que o PSB do Paraná é sesmaria do presidente Severino, tradicionalmente ligado ao PSDB. O partido foi das siglas que mais sustentação deram a Cassio Taniguchi e Jaime Lerner (governo e Prefeitura de Curitiba).

Uma coisa é certa: o pacto fraterno entre os irmãos Alvaro e Osmar é sólido. Isto quer dizer: mesmo que entre em nova sigla ou fique mesmo no PDT, o pré-candidato ao Governo não deixará de se envolver na campanha presidencial do Podemos.

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