terça-feira, 12 maio, 2026
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BETO RICHA DIZ ESTAR “FORTEMENTE INCLINADO” A CUMPRIR MANDATO

Beto Richa: "soldado" de Alckmin
Beto Richa: “soldado” de Alckmin

A entrevista do governador Beto Richa, publicada nesta segunda-feira (8), em “O Estado de S. Paulo”, toca em um ponto considerado crucial aos pré-candidatos à sucessão do tucano. Se Richa permanecer no Palácio Iguaçu até o fim do mandato e não disputar o Senado, como se anunciava, o quadro eleitoral deve ganhar um novo tom. Sua decisão parece, a princípio, estar engajada na condição que ele ganharia como principal cabo eleitoral e “soldado” de Geraldo Alckmin, cuja incursão presidencial (a segunda) parece definida, mesmo sem a decisão oficial do partido. Richa diz ainda que vive o seu melhor momento no Paraná. Depois de duas eleições ao governo em que venceu no primeiro turno (2010 e 2014), o confronto entre policiais militares em praça pública, em abril de 2015, arrastou sua popularidade com a força de um tsunami.

Três anos depois, Richa se diz recuperado. Em entrevista ao jornalista Luiz Maklouf Carvalho, autor de “Cobras Criadas”, um livro obrigatório sobre o desbravamento e a criação de cidades no interior do Paraná, o governador compara o Paraná a outros estados da federação que não enfrentaram o ajuste fiscal e agora se veem incapazes de saldar suas dívidas e pagar a folha de salários dos servidores. “Eu coloquei em risco a minha popularidade, caí de uma vez. Propus ajustes, medidas impopulares justas, mas hoje o Paraná colhe os frutos dessas medidas”, afirma.

Abaixo os principais trechos da entrevista:

TENDÊNCIA É CONTINUAR

Eu ainda não sei (se irei disputar o Senado ou permanecer até o fim do governo). Porque o melhor momento do meu governo é agora. A casa está em ordem, fizemos todo o ajuste fiscal, o equilíbrio das contas públicas, tem muito investimento acontecendo. Mas a minha tendência é continuar até o final do governo. Tenho pensado seriamente nessa hipótese.

CABO ELEITORAL DE ALCKMIN

Eu sou soldado (da candidatura de Geraldo Alckmin à presidência da República). Já disse isso a ele, já disse isso no partido. Qualquer missão que me derem eu cumpro com muita honra. Até porque acredito no PSDB, partido que o meu pai (José Richa) fundou, ao lado de figuras ilustres, como Mário Covas, Fernando Henrique, Pimenta da Veiga, José Serra, Tasso Jereissati… Admiro demais (o Alckmin). É um grande político, um gestor responsável, decente, sério. Eu gosto muito do jeito dele. Eu coordenei, no Paraná, todas as campanhas do PSDB – menos a do Fernando Henrique. Serra duas vezes, Aécio, Geraldo Alckmin. Todos eles ganharam as eleições aqui no Paraná, onde o PT nunca venceu.

LULA, A INCÓGNITA

Ninguém sabe ao certo se ele vai ser candidato. Primeiro, a lei tem que ser respeitada. Se por acaso contrariar a Lei da Ficha Limpa, no julgamento colegiado de segundo grau, me parece que (o Lula) não poderia ter a candidatura registrada. Ele merece um julgamento isento, com todo o direito de defesa. A Justiça está aí, para punir os culpados, mas também absolver os inocentes. Se houver um enfrentamento, o Alckmin ganha.

REJEIÇÃO E RETROCESSO

O Lula tem uma rejeição considerável. Numa eleição indo para o segundo turno conta-se mais a rejeição do que a intenção de votos. Entre os candidatos que se apresentam agora, o Alckmin é mais equilibrado, é o que oferece segurança ao eleitor brasileiro num momento de muita turbulência, oferece uma proposta segura, de uma pessoa equilibrada, experiente. Ninguém vai querer apostar numa aventura, num retrocesso, naquilo que fez muito mal para o País.

O CASO AÉCIO

Nunca pedi e não pediria (empréstimo de caráter pessoal a um empresário). Jamais. Mas eu não posso querer que todas as pessoas pensem como eu. Ele pode ter cometido um erro de ter pedido para uma pessoa na situação do Joesley (Batista) ou de qualquer outro empresário.

Mas eu não posso avaliar a sua dificuldade naquele momento. Ele tem as suas explicações, a sua argumentação, e vai se defender na Justiça.

Ninguém pode ser condenado antecipadamente.

UM “PRESENTÃO” DO GILMAR MENDES

Michel Temer: bomba no colo; Gilmar Mendes: “apenas justiça”
Michel Temer: bomba no colo; Gilmar Mendes: “apenas justiça”

(Sobre a suspensão determinada pelo ministro dos processos que tramitavam contra o governador no STJ).

Ele foi justo. Eu só digo o seguinte e insisto nessa frase: sigo confiando na Justiça. Ele tem lá todas as argumentações para fazer o que fez. Essa operação em Londrina (na qual Richa é acusado) é de arrepiar o cabelo, de arregalar os olhos. É um absurdo o que eles (Ministério Público) fazem. As doações (de campanha) foram registradas, não tem nada errado. JBS, por exemplo, não tem nada. Tem uma doação registrada de R$ 1,1 milhão, tudo dentro da lei.

O CONFRONTO COM OS PROFESSORES

O que aconteceu naqueles dias foi uma revolta contra o principal item do nosso ajuste fiscal – a mudança no regime de custeio da Previdência dos servidores estaduais. E a aprovação daquela reforma da Previdência foi o que garantiu o reajuste aos servidores no ano seguinte. No ano passado, o único Estado que deu reajuste ao funcionalismo foi o Paraná – de 10.67%. As imagens foram chocantes, mas muitas foram meticulosamente produzidas, maldosamente articuladas e premeditadas pelos meus adversários. A aprovação da reforma da Previdência nos deu uma economia mensal de R$ 125 milhões mensais, R$ 1,5 bilhão em um ano. Foi o principal item do nosso ajuste. Não se fala tanto de reforma da Previdência no País, há décadas? Nós fizemos no Paraná, o que nos deu todo esse fôlego. Eu coloquei em risco a minha popularidade, caí de uma vez, depois de duas eleições vencidas no primeiro turno. Propus ajustes, medidas impopulares justas, mas hoje o Paraná colhe os frutos dessas medidas.

AVALIAÇÃO DO GOVERNO TEMER

O Temer paga um preço caro, porque a bomba estourou no colo dele, uma bomba de efeito retardado. Mas eu devo admitir a coragem de tomar medidas duras, de difícil decisão de enfrentar e fazer as reformas necessárias para a recuperação do País, sustentável, pensando num longo prazo. A reforma da Previdência é vital – até para a segurança dos inativos. Daqui a pouco falha o sistema e não se recebe mais aposentadoria. Não pode ter servidor se aposentando com quarenta e poucos anos.

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