
Controvertido, de difícil trato pessoal com a média das pessoas com quem convive, e gozando de pouco apoio no clero de Curitiba, o padre showman Reginaldo Manzotti vai, a trancos e barrancos, consolidando sua rede de Televisão, a Evangelizar (e uma rádio FM). A pouca aceitação por parte do clero deve-se especialmente à pastoral de padre-cantor, que contrariaria toda a linha de ações estabelecida pela Arquidiocese de Curitiba. E ao fato de ser classificado “de personalidade autocentrada”, que não faz questão de conviver com seus colegas de ministério.
Essa oposição de seus colegas parece não importar ao padre. Ele tem o placet do arcebispo dom Peruzzo para trabalhar, que, no entanto, enquadrou Manzotti desde o ano de 2016. O que pouca gente sabe.
ENQUADRAMENTO
O enquadramento foi “curto e grosso”, como revela à coluna uma fonte da Cúria Metropolitana: o arcebispo socorreu-se de assessoramento de advogados da CNBB, vindos especialmente de Brasília para definir a situação Civil, e sua conexão canônica, da Fundação Evangelizar.
SUBORDINAÇÃO
O trabalho dos advogados casou, no resultado final, com o que lhes pedira dom José Antonio Peruzzo: que a Fundação Evangelizar se subordinasse, de alguma forma, à Arquidiocese. O melhor dizendo: que passasse a vincular-se à Arquidiocese de Curitiba. Afinal, ele está incardinado em Curitiba (pertence a Arquidiocese de Curitiba, do ponto de vista canônico).
BOM TRABALHO
O final do trabalho satisfez ao arcebispo e a Evangelizar deixou de ter a autonomia ampla e irrestrita com que agia, “sem dar a menor satisfação à hierarquia”, diz um sacerdote que, outrora, pertenceu ao mesmo instituto religioso em que Manzotti se formou.
DESTRUINDO OS RETRATOS
Um dos sinais da eficácia do enquadramento que dom Peruzzo determinou – como que definindo o novo status de relacionamento com Manzotti -, foi o fim da verdadeira galeria de fotos suas exibidas na entrada da Fundação.
“Era uma mostra de narcisismo não comum nem a outros padres-cantores”, observa outra fonte eclesiástica. As fotos sumiram, em poucas horas.
‘COMENDO PELAS BORDAS’

Claro que dom Peruzzo, que está costumado a “comer pelas bordas” em situações difíceis, quis também deixar claro que até o local em que está instalada Evangelizar (enorme e caótico) é propriedade da Arquidiocese. Uma ‘herança’ que foi ficando no esquecimento, e estabelecida no governo de dom Pedro Fedalto.
A Evangelizar ocupa o enorme andar térreo, com auditório, da Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe, ao lado do Terminal do Guadalupe.
MUITAS DIFICULDADES
Há favor de Manzotti há muitos analistas do “mercado religioso”, alguns deles até estudiosos da história recente de perdas do catolicismo no Brasil. Um deles, por exemplo, acha que os padres-cantores podem “até ser um bem” para a Igreja: estariam garantindo ainda adesão das massas a manifestações como as que fazem o sucesso, por exemplo, de igrejas e seitas evangélicas. Com a mesma receita deles.
De qualquer forma, faça-se justiça ao padre Reginaldo, que não é apenas aquilo que suas contradições expõem, a começar pela alegada ‘soberba’ “com que trataria a maioria dos “simples mortais” com quem tem contato: ele é hoje personalidade nacional. Em Fortaleza, sua presença pode significar mais de um milhão de pessoas a ouvi-lo e aplaudi-lo.
NOVAS DIFICULDADES
A personalidade contraditória do sacerdote inclui uma certa ingenuidade para negócios, de que é exemplo a compra que fez de várias antenas retransmissoras de televisão. Mas que logo estarão defasadas, pois são analógicas.
500 MIL SÓCIOS
A folha de salários da Evangelizar contempla 300 celetistas mensalistas. Isto significa muito dinheiro. Mas a instituição tem dívidas enormes, em função de negociações malfeitas. De qualquer forma, as entradas devem ser apreciáveis: a Evangelizar tem cerca de 500 mil sócios pagantes.
Em média cada um contribui mensalmente com R$ 30,00 (trinta reais).
Façam as contas.
O que não se sabe agora se parte desse faturamento entra na conta corrente da Arquidiocese.
