segunda-feira, 11 maio, 2026
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A APOSTA NOS ORGÂNICOS; EM FAZENDAS PRÓPRIAS

Junior Durski: adesão ao orgânico
Junior Durski: adesão ao orgânico

É um caminho sem volta. As redes de casual dining, restaurantes que ocupam a zona intermediária entre as casas de fast food e a gastronomia mais elaborada, estão adotando as boas práticas também em seu cardápio.

A novidade agora é a produção de vegetais orgânicos em fazendas próprias ou certificadas com a missão de abastecer as hamburguerias e garantir um selo de qualidade ao que é servido aos clientes.

CRESCIMENTO DA PRODUÇÃO

No Brasil, a preferência por produtos orgânicos, mesmo que um pouco mais caros, tem aumentado a oferta de hortaliças, verduras e frutas nas gôndolas dos supermercados. O indicativo do crescimento da produção está na área rural. O número de unidades produtivas, em 2016, chegou a 18 mil – 15% a mais do que no anterior. O lucro do setor no mercado interno foi de R$ 3 bilhões e a expectativa, ainda que em um período de instabilidade econômica, é que esse valor aumente de 25% a 30% até o fim deste ano.

VIDA SAUDÁVEL

Há mesmo uma tendência, que é associada à vida saudável e ao desejo de um mundo melhor, de consumir produtos orgânicos para garantir a sobrevivência do planeta. O slogan, se esse é o termo apropriado, fala mais alto também nas redes de casual dining e food service. A poucos anos, a aura de “alimentação saudável” ficava restrita aos restaurantes vegetarianos ou naturais. Não mais.

TUDO DENTRO DA LEI AMBIENTAL

A venda de hambúrgueres, cuja origem da carne e do pão é certificada, tornou-se decisiva no negócio. Eis a questão: atrair ou não atrair mais clientes? Pois chegou a hora dos orgânicos. Não se trata de um modismo passageiro. Essa maneira de afinar-se ao perfil conservacionista do consumidor está intimamente ligada à preservação do solo, da água e da biodiversidade. Quem quer plantar orgânicos tem que, necessariamente, seguir a legislação ambiental. Do contrário, é melhor mudar de ramo.

HAMBURGUERIAS

Redes como a Madero Express, que controlam toda a produção dos produtos servidos à clientela, estão aderindo com entusiasmo à ideia de garantir a oferta de alimentos livres de agrotóxicos em seus mais de 70 restaurantes espalhados pelo país.

ALFACE E TOMATE

A Fazenda Madero, localizada no município de Palmeira, a 80 km da capital paranaense, deve começar a operar ainda neste semestre com a previsão de colheita anual de 120 toneladas de alface e 120 toneladas de tomate.

CARDÁPIO INOVADOR

A produção de alimentos sem corantes ou conservantes, pautada no desejo de preservação do meio ambiente, é um princípio fundamental da marca. Em 2015, o empresário Junior Durski, chef do Madero, inaugurou a fábrica da empresa em Ponta Grossa (60 km de Curitiba), de olho no conceito de qualidade dos produtos ofertados em seus restaurantes. Durski é uma espécie de Willy Wonka das hamburguerias – uma referência ao personagem do filme “A Fantástica Fábrica de Chocolates”. Tudo relacionado às receitas de seu cardápio tem um toque especial e inovador.

GARANTIA DE VENDA

Com 100 mil metros quadrados e um investimento de R$ 3 milhões nos dois primeiros anos, a Fazenda Madero nasce de uma parceria com o produtor Vicente Nogaroli. Até 2023, a previsão é colher na área de cultivo todas as hortaliças, temperos, frutas e legumes utilizados nos restaurantes da rede. “Uma das grandes dificuldades do produtor de orgânicos é a comercialização. Aqui temos a garantia de venda para o Madero, com um valor justo para o produto”, diz Nogaroli.

ESTUFAS

De acordo com ele, toda a produção da fazenda será feita em estufas, o que ajuda a controlar a infestação de pragas e insetos e protege a plantação dos efeitos climáticos. É baseado nessa técnica que Nogaroli garante a colheita, em cinco anos, de 840 toneladas de alface e 780 toneladas de tomate.

CONCEITO DE UM MUNDO MELHOR

Ainda que a produção do vegetal orgânico represente um custo de 30% a 50% maior em relação ao convencional, Durski diz que não pretende repassar o preço ao cliente. Com a novidade, ele pretende atrair exatamente aquele consumidor que conjuga com o conceito de um mundo melhor.

‘MÁGICA’

“Mesmo sendo produtos mais caros, não vamos repassar o custo para o consumidor. Vamos conseguir essa ‘mágica’ porque acreditamos que haverá um aumento no volume de clientes nos restaurantes nos próximos anos, clientes esses que procuram por uma alimentação cada vez mais saudável”.

SEMPRE UM NEGÓCIO

Claro que se trata de um negócio. Mas que dessa vez atende três pontas da cadeia de consumo: o empresário, o cliente e o planeta.

Orgânicos do Mercado Municipal de Curitiba
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