quarta-feira, 22 julho, 2026
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Blends e charutos: Momentos de solitude

Por Carol Macedo – É curioso como momentos de solitude são ambíguos, né. Os psicólogos diriam que são essências. Principalmente aqueles onde a gente se diverte sozinha, onde a sua própria companhia é boa o suficiente.

A ambiguidade vem nos olhos da sociedade, que julga que estar sozinho é quase sinônimo de abandono. Enquanto escrevo estou em um bar, sozinha. É um bar de vinhos, e próximo a mim três amigos conversam sobre bares que eles gostam na cidade. Um diz que adora sair sozinho, ainda que evite aqueles bares muito de casal. Outro já diz que tem muita dificuldade em ir a qualquer lugar sozinho, que sente todos o observado.

Eu entendo o comentário. Sendo mulher ele é ainda mais real. É a ideia de que você ou levou um bolo, ou é sem amigos. Viver sozinha. Sair, tomar um drink e se divertir parece algo surreal demais para uma sociedade que nos impõe estar acompanhadas como prerrogativa, uma chancela de que somos boas o suficiente, dignas de uma companhia.

Eu comecei a entender e criar coragem para viver esses momentos quando comecei a viver o dia a dia de uma tabacaria. Raros são aqueles homens que marcam um compromisso em uma tabacaria, a maioria simplesmente chega, na certeza de que em algum momentos vai surgir alguém para uma boa conversa, e esse alguém sempre surge. Amizades nascem, negócios surgem, ou não, por vezes o encontro é sobre aquele dia, aquela conversa, aquele momento. Nunca alguém é olhada de canto de olho por estar sozinho no sofá.

Eu gosto de acreditar que essa é a magia da tabacaria – e de fato é uma das. O charuto passa a ser o elemento aglutinador dessas pessoas desacompanhadas, mas a verdade é que isso é privilégio dos homens em sua maioria.

Hoje, sozinha nesse bar, é quase como um ato de rebeldia. Vim porque quis, escolhi estar sozinha. Mesmo com uma lista generosa de bons amigos e companhias para dividir esse momento. Há anos ,brigo para as mulheres ocuparem espaços nas tabacarias, para terem na agenda um momento para elas – tão importante quanto qualquer outro compromisso. Hoje, escrevo para tentar furar a bolha.

Para você que me lê, lembrar que você não precisa de companhia para tomar um drink, ou jantar em um lugar especial quando der vontade. Se bater um medo, pega um livro, é sempre uma boa companhia, mas aos poucos tenho certeza que você vai estar se divertindo – e muito – sozinha!

*Carolina Macedo é curitibana, empresária, cigar sommèliere e pioneira no universo dos charutos, atuando à frente da Bulldog Tabacaria e abrindo espaço para mais mulheres no setor. Fala sobre este universo, além de agendas de cultura e lazer.

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