Assessoria – O setor imobiliário está vivendo um novo momento. As locações de curta duração, estimuladas pelo turismo de eventos, ganham cada vez mais espaço em Curitiba. Dados extraoficiais indicam cerca de 50 mil vagas de hospedagem nesta modalidade em todo o Paraná e essa mudança de perfil de locações já é visível.
Só em Curitiba, existem mais de 5 mil imóveis anunciados na plataforma Airbnb, sendo cerca de 4 mil unidades concentradas em bairros como Centro, Água Verde e Batel. A taxa média de ocupação dos imóveis de temporada gira em torno de 64%, refletindo a alta demanda por esse tipo de hospedagem. O desempenho recente do turismo reforça esse cenário: em outubro de 2025, a ocupação da rede hoteleira atingiu 90%, o melhor resultado desde a pandemia, superando com folga os 63% registrados em 2024.
O presidente da Confraria Imobiliária de Curitiba, Carlos Eduardo Canto, destaca que o shortstay é um formato que “veio para ficar”. Segundo ele, os incentivos que a Prefeitura de Curitiba tem oferecido, assim como, programas de revitalização da área central são importantes para essa mudança de perfil. “Essas ações resgatam um coração da cidade que não estava pulsando e a partir daí muitos empreendimentos e investidores se voltaram para essa região, que favorece esse tipo de locação”, explica.
Canto entende que a alteração no perfil do turista foi entendida rapidamente pelos investidores. “Muitas vezes a rede hoteleira não consegue absorver a demanda de turistas ou pessoas que vêm para passar um pequeno período e isso já chamou a atenção para o setor imobiliário, que tem investido em estúdios ou apartamentos para esse fim”, complementa.
Público das locações shortstay
A CEO da Shortstay, plataforma curitibana de locações, Fernanda Feres, está no mercado há 13 anos, e dos clientes que sua empresa atende, cerca de 60% são pessoas que encontraram trabalho, mas precisam de um tempo para se estabilizarem ou passaram em concursos, além de estrangeiros que fazem intercâmbios ou vêm trabalhar para empresas do exterior.
Fernanda cita o efeito que o aumento do turismo provoca nos negócios. “Essa tendência vinha crescendo, temos um perfil de pessoas que não conseguem se encaixar nas burocracias da locação tradicional, por exemplo. A partir daí, criamos um círculo positivo, com a ampliação do turismo, tecnologia, e pessoas que buscam comodidades para um curto período”, avalia.
O CEO da Yogha Gestão e Hospitalidade, Filipe Casagrande, ressalta o novo perfil e aumento do número de pessoas que usam esse modelo de estadia. “O shortstay possibilita uma prestação de serviços diferenciada, antes muito utilizada pelos nômades digitais. Atualmente se ampliou o público e temos todos os perfis, seja para o turismo de eventos, acompanhamento de parentes em hospitais e tudo isso pode ser feito de forma rápida, sem as burocracias de um inquilinato tradicional”, detalha.
Setor de eventos comemora

Um dos motivos que têm auxiliado nas estadias de curta duração é o alto índice de eventos promovidos pela cidade. Até maio desse ano já foram registrados 322 eventos de uma projeção de 406 até o final do ano, segundo o Calendário de Eventos do Instituto Municipal de Turismo de Curitiba.
O vereador Pier Petruziello, autor de projeto de lei que incentiva a realização de eventos comemora o impacto provocado na cidade. “O impacto econômico é na cidade inteira. Porque vai além da hotelaria, dos restaurantes, dos produtores de eventos e do transporte. Impacta no pequeno comerciante, no ambulante, na geração de empregos fixos e temporários de cidadãos de todos os bairros”.
Pier também ressalta o impulso dado ao turismo por conta da redução da alíquota de ISS. “Se você olhar para o período anterior à redução do ISS vai notar que Curitiba teve um bom período com poucos eventos, perdendo inclusive grandes shows internacionais para Porto Alegre e Florianópolis. Com a redução não só recuperamos o espaço que tínhamos, como o ampliamos”, conclui o vereador.
O presidente da Associação Brasileira de Bares e Casas Noturnas (Abrabar) e Sindicato das Empresas Promotoras de Eventos do Estado do Paraná (Sindiprom), ambas entidades membro da Confederação Nacional de Turismo (CNTur), Fábio Aguayo, destaca as alterações de tributos como um fator de incentivo. “A alteração no ISS de 5% para 2% impactou nosso setor de forma muito positiva. A cidade está bem estruturada, estamos entre os maiores polos de turistas, de acolhimento, somos a quarta maior do cidade do País nesse índice”.
O Natal de Curitiba 2025 também teve papel importante nesse movimento, com expectativa de atrair 2,5 milhões de visitantes, acima dos 2,2 milhões do ano anterior. Já em dezembro de 2025, a ocupação hoteleira manteve patamares elevados, passando de 63,37% para 65,98% em comparação com 2024, enquanto a diária média dos hotéis registrou crescimento de 13%, fortalecendo ainda mais o resultado financeiro do setor.
