segunda-feira, 18 maio, 2026
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Melhor terror do ano transforma amor obsessivo em pesadelo

Por Eliaquim Junior – Estreou no último fim de semana nos cinemas o filme de terror mais perturbador do ano: Obsessão (Obsession, 2026). O longa vem sendo amplamente elogiado pela crítica e marca a estreia de Curry Barker, um diretor de apenas 26 anos que aparentemente decidiu começar a carreira já traumatizando plateias profissionalmente. Se continuar nesse ritmo, logo estará entre os grandes nomes do terror contemporâneo, ao lado de nomes como Zach Cregger (A Hora do Mal) e os irmãos Danny e Michael Philippou, responsáveis por Fale Comigo e Faça Ela Voltar.

Este filme une dois ingredientes já bastante explorados no cinema: o clássico “amor obsessivo” (Louca Obsessão piscou na sua mente?) e o eterno “cuidado com o que deseja” (lembra do terror O Mestre dos Desejos, clássico das locadoras no fim dos anos 90?).

A trama é simples. Bear (Michael Johnston) é apaixonado pela sua amiga Nikki (Inde Navarrette), mas ele é muito tímido para se declarar. No auge do desespero, ele encontra um objeto místico estranho chamado “salgueiro dos desejos”, capaz de realizar um único desejo. Logicamente, ele deseja que Nikki se apaixone loucamente (ênfase aqui) por ele.

A partir daí, Nikki abandona qualquer resquício de individualidade para viver em função de Bear. O relacionamento evolui rapidamente do estágio “isso está meio estranho” para “alguém por favor chama um exorcista”. Barker conduz essa escalada de maneira brilhante, construindo tensão não com sustos baratos, mas com longos planos estáticos que deixam o espectador em estado de alerta permanente, que se assusta com o menor sinal de movimento ou ruído que possa aparecer na sequência.

A dupla principal entrega atuações dignas de destaque. Navarrette impressiona ao transformar Nikki em uma figura simultaneamente carinhosa, assustadora e emocionalmente instável, às vezes tudo na mesma cena. Já Michael Johnston sustenta bem a passividade quase irritante de Bear, aquele tipo de personagem que faz o público querer gritar “reage!” enquanto continua torcendo por ele.

Obsessão pega a velha premissa de comédia romântica adolescente — “sou apaixonado por ela, mas ela só me vê como amigo” — e transforma tudo em um pesadelo angustiante sobre dependência emocional. No fim, ninguém sai psicologicamente ileso: nem os personagens, nem o espectador.

*Eliaquim Junior é cinéfilo e viciado em café (a ordem é discutível, o vício não). Escreve sobre filmes para justificar o tempo gasto assistindo a eles – e para reclamar com embasamento. Viu 125 filmes em 2025 e segue insatisfeito. Fã assumido de Spielberg e Hitchcock. Jornalista formado, e atua com edição e revisão de textos, mantendo vírgulas no lugar e expectativas altas no cinema.

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