quinta-feira, 14 maio, 2026
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Sobre massas, blends, charutos e Ed Motta

Por Carol Macedo – Chego a um restaurante que muitos amigos me indicaram por produzir massas frescas incríveis. Tudo é muito bonito. Na porta, sou recebida e logo encaminhada à mesa, que já está posta; no caminho o aroma já me conquista. O sommelier me oferece a carta de vinhos, faz algumas recomendações de novidades que chegaram à sua adega e me dá alguns minutos para decidir o meu prato.

Antes de ele voltar para me auxiliar na escolha, eu tiro da minha bolsa um pequeno pote. Um aroma delicioso toma conta do ambiente. Logo, a equipe do restaurante chega à minha mesa e pergunta o que é aquilo. Eu respondo, com tranquilidade: é uma massa que eu trouxe para apreciar ali, no restaurante deles. Gentilmente, peço uma bebida para acompanhar o meu prato. Ao longo do jantar, converso muito com o sommelier da casa, pego dicas de vinhos incríveis que, mais tarde, vou anotar para comprar.

Talvez, até aqui, você ainda não esteja entendendo o porquê do meu comportamento, mas eu o tranquilizo, caro leitor: o prato que levei é um dos meus prediletos e, na minha casa, eu não teria a mesma experiência degustando-o. Bom, ao final, eu obviamente pedi uma sobremesa ao restaurante. Junto ao meu convidado, dividimos um doce delicioso. Saio grata, agradecendo ao Chef, ao sommelier e a toda a equipe pela cordialidade. Prometo recomendar o local a todos os meus amigos.

Esse texto foi retirado de uma das minhas newsletters escritas no início deste ano. Eu imagino que, a esta altura, você esteja indignado com o meu comportamento, assim como os assinantes da news ficaram na época, mas que também já tenha entendido o ponto da história que – graças ao Ed Motta – eu decidi dar vida novamente. Quando trocamos o vinho ou o charuto por um prato de massa, as pessoas parecem que começam a entender melhor a situação.

O seu restaurante predileto é um negócio, assim como o consultório de um médico ou o escritório de um arquiteto. Vender um produto ou serviço é parte essencial para manter o estabelecimento de pé. Rolha livre é uma cortesia, diria até que oferecer a possibilidade de se levar um vinho em restaurantes que hoje possuem uma vasta carta de vinhos com excelentes sommeliers na equipe é desnecessário, mas essa é só a minha opinião.

*Carolina Macedo é curitibana, empresária, cigar sommèliere e pioneira no universo dos charutos, atuando à frente da Bulldog Tabacaria e abrindo espaço para mais mulheres no setor. Fala sobre este universo, além de agendas de cultura e lazer.

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