Por Marilia Mesquita – No último fim de semana, Maringá foi palco de uma das experiências mais intensas da minha vida. O 26º Campeonato Paranaense de Kickboxing transformou o ginásio do Parque do Japão em um organismo vivo, pulsante, com três tatames e um ringue operando simultaneamente. Estar ali, imersa em um ambiente onde todos respiravam artes marciais, foi como sentir uma eletricidade que as palavras mal conseguem traduzir: uma sensação profunda de pertencimento e a compreensão de que fazemos parte de algo muito maior do que o nosso próprio desempenho.
Muitos olham para o combate e enxergam apenas o esforço individual. Mas, ao pisar naquele tatame para a minha primeira competição oficial, entendi a maior verdade desse esporte: o kickboxing é, sem dúvida, o esporte individual mais coletivo do mundo. É onde o poder de uma equipe consistente se manifesta, transformando o receio individual em força compartilhada.
Embora eu estivesse sozinha diante de cada adversária quando o cronômetro começou a rodar, eu carregava comigo uma estrutura gigante. Ninguém entra no tatame desacompanhado. Ali, no centro do caos, a minha segurança vinha do olhar atento do Mestre Ariel, cuja experiência nos molda muito antes do dia da luta, e da presença firme do meu treinador Samuka ao lado do Vini. Eles sabiam exatamente o que havíamos construído; conheciam cada gota de suor deixada na academia. Naquele turbilhão de adrenalina, a voz deles era o fio invisível que me ligava à estratégia e à confiança, mantendo-me firme enquanto o mundo ao redor girava rápido.
Esse suporte técnico e emocional foi complementado pelo cuidado minucioso de cada um dos demais professores, que organizaram, abraçaram e inspiraram nossa jornada. Eles não foram apenas técnicos, mas orientadores que funcionaram como portos seguros. É essa rede de proteção que nos permite entrar no tatame confiantes. No lugar do medo, uma felicidade indescritível: lutei com o sorriso de quem ama o desafio e celebrei a minha própria jornada. E acredito que foi assim com os meus colegas também.

Uma família forjada no suor
O brilho de Maringá não veio apenas das medalhas, mas da vibração contagiante do nosso time. É emocionante ver a união de quem se ajuda no aquecimento, quem grita até ficar rouco na beira da área de combate e, principalmente, a satisfação genuína de ver cada companheiro de treino subindo ao pódio. Ali, o pertencimento se torna tátil: você não luta apenas por si, mas por cada um que pavimentou o caminho até ali.
A conquista de um era a celebração de todos. Dividimos o nervosismo, o incentivo e o orgulho de ver nossa bandeira representada com tamanha garra. Saio do campeonato feliz e realizada. O kickboxing nos ensina que o atleta é o mensageiro, mas a potência é coletiva; que aquele espaço de combate não é um lugar de isolamento, mas o palco de celebração de uma família que escolhemos.
Embora o confronto seja solitário, o coração que bateu forte em Maringá foi alimentado pelo Mestre Ariel, pelos professores e por cada colega que dividiu o suor dos treinos e acreditou no nosso potencial.
Foi incrível!
Pautas e contato: esporteedestino@gmail.com

*Marília Mesquita é jornalista e assessora de imprensa. Entende que a combinação de esporte e viagens oferece uma mundo de oportunidades para experiêncas únicas, nos conectando com a natureza, enquanto exploramos diversas culturas.
