terça-feira, 5 maio, 2026
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Eloi Zanetti: Descanse em paz, Toninho Vaz

Por Eloi Zanetti (contato: eloizanetti@gmail.com) – Toninho Vaz foi jornalista, escritor e agitador culturalfaleceu há poucos dias e deixou um rastro de boas histórias. Aqui vai uma – no início da década de 70 eu cuidava da comunicação do Grupo Frischmann, uma poderosa rede de varejo que lançava modinhas por meio das suas lojas Badalo e Mau Mau que se esmeravam em trazer o supra sumo da moda prafrentex das marcas Gledson e Wrangler para a moçada de Curitiba e apoiava eventos culturais como as apresentações de novos compositores no recém inaugurado Teatro Paiol (1971) – Ivan Linz, João Bosco, Maria Alcina entre outros e um rock pauleira no Guairão tocado por nada mais, nada menos do que Bill Haley e seus Cometas.

Certo dia recebi a visita do Toninho Vaz acompanhado pelo multitarefas cultural Luiz Rettamozzo e me apresentaram a ideia de se fazer um jornal underground  que receberia o título de Scaps – nome derivado de um movimento de jogo de bolinha de gude – é quando, por descuido, você erra uma jogada e, se imediatamente, pedir scaps – é perdoado e pode repeti-la.

Ele, o Toninho Vaz, estava reunindo uma pleura de bons jornalistas locais, outros do eixo Rio/São Paulo mais a presença de alguns gaúchos de bom calibre. Vou deixar a lista dos colaboradores no final desta crônica.

Luiz Rettamozzo

O patrocínio para a impressão – em formato meio tabloide veio das lojas citadas. Conseguimos lançar três edições, pois na terceira a dupla que capitaneava o projeto foi chamada ao DOPS – Departamento de Ordem Política Social e receberam o aviso que mais uma edição eles seriam recolhidos para “averiguação”.

A linguagem do jornal adotada era a da imprensa nanica – meio parecida com a do Pasquim, do Grunch e do Versus – jornais que faziam sucesso na época. Rettamozzo cunhou uma curiosa frase que era estampada na front page  – “Um jornal que respeita a grande imprensa como se fosse a sua mãe.”

Lembro-me do entusiasmo do Toninho correndo prá cá e prá lá tentando lançar o jornal nas datas certas e também de alguns artigos que ele escreveu:  – um sobre uma famosa casa noturna Os Quatro Bicos e outro sobre a vida na penitenciária “O Boxixo na Penita” e creio que foi esse que levou a dupla a ser chamada aos censores militares.

O tempo passou e o Scaps, como quase todos os nanicos, emplacou três números. Toninho foi bater asas no Rio de Janeiro e se envolveu com a inteligência local e lá, entre vindas à Curitiba, publicou boas obras. Há poucos dias, o Editor Chefe, aquele que fica lá em cima, ditando as pautas humanas chamou-o para outras tarefas.

Foram colaboradores do Scaps:

Toninho Vaz, Retta Rettamozo, Hélio Teixeira, Paulo Roberto Marins, Paulo Leminski, João Urban, Rogério Dias, Pedro Franco Y Cruz, Alice Ruiz, Dante Mendonça, Reinoldo Atem, Nelson Padrella, Solda, Milton Ivan, Ali Chaim, Cassia Marta, Matogrosso, Janelinha, Luizinho Stinghen (SP), José Trajano (SP), Marília Guasque (SP), Dácio Nitrini (SP), Jaime Leão (SP), Chico (SP), Elvira Alegre (SP), Gollo (RJ), Call (RJ), João Antônio (SP), Carlos João (RJ), Veríssimo (RS), Leonid Strellaev (RS), Juarez Fonseca (RS), Maria Inglaterra (PI) e Sergio Algusto Silveira.

Eloi Zanetti é escritor, especialista em marketing e comunicação corporativa. Contato: eloizanetti@gmail.com

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