terça-feira, 24 março, 2026
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Devoradores de Estrelas: a sobrevivência como espetáculo visual

Por Eliaquim Junior – Mais um protagonista “se virando com o que tem” chega aos cinemas. Isso é tudo culpa do autor Andy Weir, que insiste em entregar histórias com ciência mastigadinha, bom humor e personagens que a princípio não têm um plano B além do “vou sobreviver na raça mesmo”.

Primeiro, veio Perdido em Marte (2015), Mark Watney (vivido por Matt Damon) é deixado para trás em Marte e precisa plantar muita batata para sobreviver. Escala: pequena. É ele contra Marte.

Agora, em Devoradores de Estrelas, o professor de ciências Ryland Grace (Ryan Gosling) acorda numa nave espacial, sem memória e com a leve responsabilidade de… salvar a humanidade. Escala: imensa. O destino da Terra e além depende dele.

Mais emocional e reflexivo que a primeira adaptação, Devoradores de Estrelas entrega aquele combo que eu particularmente adoro: deslumbramento visual + crise existencial + lágrimas inesperadas. E, claro, uma relação com um ser alienígena que funciona como um abraço cósmico –  daqueles que fazem rir, chorar e repensar suas amizades aqui na Terra.

Gosling já havia comprovado sua veia cômica em muitos papéis antes, mas aqui ele se supera. A química entre Grace e seu colega de cena não humano é o verdadeiro motor emocional da história.

Sandra Huller (aclamada atriz de Anatomia de uma queda) também está no elenco e brilha, tanto quanto as estrelas do céu espacial que Grace vislumbra da janela de sua nave. Sua personagem ganha nossa empatia em um momento específico – aquele tipo de cena que é bem simples, mas quando você percebe, já está emocionalmente comprometido.

No fim, como já cantava a “aposentada” Rihanna em We Found Love, “we found love in a hopeless place”. E é exatamente isso que o filme entrega – só que sem romance clichê. Aqui, o amor aparece na forma mais estável que existe: a amizade, porque nem todo amor é amizade, mas toda amizade tem amor envolvido.

*Eliaquim Junior é cinéfilo e viciado em café (a ordem é discutível, o vício não). Escreve sobre filmes para justificar o tempo gasto assistindo a eles – e para reclamar com embasamento. Viu 125 filmes em 2025 e segue insatisfeito. Fã assumido de Spielberg e Hitchcock. Jornalista formado, e atua com edição e revisão de textos, mantendo vírgulas no lugar e expectativas altas no cinema.

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