Assessoria – Nos dias 27 e 28 de fevereiro, às 21h, o Teatro Guaíra recebe “Ficções”, aclamado espetáculo que tem como ponto de partida o livro “Sapiens – uma breve história da humanidade”, do professor e filósofo Yuval Noah Harari. A obra, que vendeu mais de 23 milhões de cópias em todo o mundo, teve seus direitos comprados pelo produtor Felipe Heráclito Lima, idealizador do espetáculo, que foi escrito e encenado por Rodrigo Portella. O espetáculo foi um dos destaques do Festival de Curitiba em 2023, dentro da Mostra Lucia Camargo.
Interpretando diferentes personagens do livro de Harari, assim como outras criadas por Portella, Vera Holtz instiga a plateia, conversando, improvisando e conversando com o filósofo, além de interagir no palco com o músico Federico Puppi, autor e performer da trilha sonora original. Em alguns momentos, Vera encarna a narradora, em outros, é a própria atriz falando.
“Eu gosto muito desse recorte que o Rodrigo fez, de poder criar e descriar, de trabalhar com o imaginário da plateia”, destaca Vera. “O desafio é essa ciranda de personagens, que vai provocando, atiçando o espectador. Não se pode cristalizar, tem que estar o tempo todo oxigenada”, completa. Rodrigo Portella concorda: “É um espetáculo íntimo, quem for lá vai se conectar com a Vera, ela está muito próxima, tem uma relação muito direta com o espectador”.
Publicado em 2014, o livro de Harari afirma que o grande diferencial do homem em relação às outras espécies é sua capacidade de inventar, de criar ficções, de imaginar coisas coletivamente e, com isso, tornar possível a cooperação de milhões de pessoas – o que envolve praticamente tudo ao nosso redor: o conceito de nação, leis, religiões, sistemas políticos, empresas etc. Mas também o fato de que, apesar de sermos mais poderosos que nossos ancestrais, não somos mais felizes que esses. Partindo dessa premissa, o livro indaga: estamos usando nossa característica mais singular para construir ficções que nos proporcionem, coletivamente, uma vida melhor?

“É um livro que permite uma centena de reflexões a partir do momento em que pensamos como espécie e que, obviamente, dialoga com todo mundo. Acho que esse é o principal mérito da obra dele”, analisa Felipe H. Lima, que comprou os direitos para adaptar o livro para o teatro em 2019.
Instigado pelas questões trazidas na obra e pela inevitável analogia com as artes cênicas – por sua capacidade de criar mundos e narrativas – o encenador Rodrigo Portella criou um jogo teatral em que a todo momento o espectador é lembrado sobre a ficção ali encenada: “Um dos principais objetivos é explorar o sentido de ficção em diversas direções, conectando as realidades criadas pela humanidade com o próprio acontecimento teatral”, resume.
Para a empreitada, Rodrigo contou com a interlocução dramatúrgica de Bianca Ramoneda, Milla Fernandez e Miwa Yanagizawa: “Mesmo sem colaborar diretamente no texto, elas foram acompanhando, balizando a minha criação, foram conversas que me ajudaram a alinhar a direção, o caminho que daria para o espetáculo”, conta.
Quando foi chamado para escrever e dirigir, Portella imaginou que iria pegar pedaços do livro para transformar em um espetáculo: “Ao começar a ler, entendi que não era isso. Era preciso construir uma dramaturgia original a partir das premissas do Harari que seriam interessantes para o espetáculo. Em nenhum momento, no entanto, a gente quer dar conta do livro na peça. Na verdade, é um diálogo que a gente está estabelecendo com a obra”, enfatiza. A estrutura narrativa foi outro ponto determinante no propósito do espetáculo: “Eu queria fazer uma peça que fosse espatifada, não é aquela montagem que é uma história, que pega na mão do espectador e o leva no caminho da fábula. Quis ir por um caminho onde o espectador é convidado, provocado a construir essa peça com a gente. É uma espécie de jam session. É uma performance em construção, Vera e Federico brincam com tudo, com os cenários, tem uma coisa meio in progress”, descreve.
As sessões em Curitiba celebram as mais de 400 apresentações do espetáculo, que foi assistido por mais de 160 mil em seus três anos ininterruptos em cartaz. Os ingressos estão à venda pelo Disk Ingressos com valores a partir de R$25 (mais taxas).
“Ficções” é apresentado pelo Ministério da Cultura | Governo do Brasil – Do lado do povo brasileiro, com realização da SevenX, da Estufa de Ideias e da AR27 Produções Artísticas. As sessões contarão com acessibilidade e intérprete de Libras. Acompanhe as novidades por meio da redes sociais oficiais, pelo Instagram @ficcoesespetaculo, pelo TikTok @ficcoespetaculo ou pelo Facebook.com/ficcoesespetaculo.
Serviço:
“Ficções”
Data: 27 e 28 de fevereiro 2025 (sexta e sábado)
Horário: 21h
Local: Teatro Guairão (Rua Conselheiro Laurindo, 175 – Centro)
Ingressos: R$25 a R$120 pelo Disk Ingressos
Classificação indicativa: 12 anos
Duração: 80 min
