
No mesmo dia, sexta, 24, em que recebo uma demorada ligação telefônica internacional de Giullio Ferrari, de Dallas, Texas, fico sabendo que a justiça paranaense proibiu a exibição dos 16 vídeos que ele vinha publicando no Youtube com fortes acusações de assédio sexual que teria sido praticado pelo médium Maury Cruz, presidente da Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas (SBEE), Faculdade Dr. Leocádio Correia e centro espírita do mesmo nome, de Curitiba.
SÓ EM INGLÊS
Fico surpreso com a informação de censura judicial, que depois me chega por outra fonte, de que as denúncias de Giullio Ferreira (que legalmente mudou o nome para Ferrari, nos Estados Unidos), agora só poderão ser acessadas em inglês. Essa fonte mesma recebeu um deles.
LONGA ENTREVISTA
Voltando ao telefonema: ouço demoradamente as alegações de Julio, 38 anos, morador nos Estados Unidos, onde é dono de um pet shopping.
Faz um amplo resumo do que teriam sido suas experiências – e de outros conhecidos seus que frequentaram a SBEE e o Centro Espírita Dr. Leocádio Correia –, sob orientação do professor Maury Rodrigues Cruz.
E o faz com emoção, cotando que ele teria sido molestado sexualmente pelo líder religioso, entre 1994 e 1996, assunto objeto dos vídeos.
Teriam ocorrido quando tinha entre 15 e 17 anos.
TUDO É NOVIDADE
Para mim, que nunca acessei esses Youtubes, tudo é novidade.
Por isso, Ferrari explica: em 18 de fevereiro deste ano postou o primeiro vídeo de denúncias contra Maury, e em março, também deste ano, foi feita queixa legal contra o líder religioso.
Segundo a alegada vítima, será possível apresentar pelo menos 59 pessoas, homens maiores de idade, que teriam sido vitimados por “igual molestamento sexual praticado por Maury.”
AS ALEGAÇÕES
As alegações de Giullio Ferrari são pesadas e pintadas com fortes cores.
Alega, por exemplo, que uma das supostas vítimas do professor Maury – um frequentador do Centro Dr. Leocádio, Sr. Luiz Vencate -, “na boa fé e motivado por espírito fraterno de ajuda”, teria feitos doações de R$ 5,5 milhões ao Centro Espírita: e que hoje estaria se considerando “lesado”, pois o resultado da benemerência não teria aparecido. Por isso a frustração do doador.
5OO MOLESTADOS
As alegações de abusos sexuais são apenas parte da “catarse” que Ferrari faz, e para quem, nesse âmbito da sexualidade, Maury teria “molestado pelo menos 500 pessoas”.
Essas acusações não seriam novidades para o Ministério Público Estadual, que agora acatou algumas das denúncias: “Há cinco anos queixas semelhantes foram endereçadas ao MPE, mas não foram para frente”, assegura Julio.
UM DESILUDIDO
Cidadão precavido, que hoje não mais é kardecista, e que já passou por longo itinerário de membro de igrejas evangélicas nos Estados Unidos – “hoje tenho uma visão mais ampla de Deus, que está acima de religiões”
– Giullio Ferrari garante ter amplo levantamento do patrimônio pessoal de Maury Cruz. Garante que esse patrimônio é incompatível com a renda de um professor aposentado da UFPR.
O grande alerta – a ser checado junto ao MEC – é de que o Curso de Teologia Espírita, oferecido pela SBEE, seria “amplamente ilegal”. E explica: “O Ministério da Educação só aceita registrar e reconhecer Curso de Teologia. Não denomina. Embora cada um possa acentuar características de sua grei”, opina Ferrari.
VOLTAREI AO TEMA
Voltarei ao assunto Ferrari, que, afinal, como Maury está no centro de todo esse “imbróglio”.
E espero uma manifestação oficial do professor Maury, que dê sua visão dos fatos. Acredito que diante de tema que tanto envolve parte substantiva de Curitiba, nunca se poderá ficar com apenas um olhar sobre o assunto palpitante.
No final, a palavra será mesmo da justiça. E quando isso acontecer, o kardecismo local terá sofrido um grande baque, mesmo que nada de errado se comprove contra a SBEE, Maury e o Centro Espírita.

